Tamanduá cruzando o caminho
Tamanduá cruzando o caminho é cena de estradas do Brasil Central, sobretudo ao entardecer e à noite. O tamanduá-bandeira enxerga mal, anda devagar e está entre os bichos mais atropelados das rodovias.
O que pode significar
Quem vê um tamanduá-bandeira cruzando a rodovia mal imagina o apetite dele. Num só dia, devora milhares de insetos, e mesmo assim não acaba com nenhum ninho. Abre um buraco com as unhas da frente, come por um ou dois minutos e vai embora, antes que os soldados da colônia reajam e antes de esvaziar o lugar. Volta outro dia, e o cupinzeiro continua de pé. É a arte de viver de uma fonte sem secá-la. Há pessoas que são fontes assim: o amigo que sempre ajuda, o colega que sempre cobre o plantão, a mãe que sempre resolve. Tirar um pouco de cada vez, e dar tempo para que se recomponham, é o que garante que continuem ali. O tamanduá cruzando o caminho faz pensar nessa conta.
Depende de como você viu
Atravessando a rodovia ao entardecer
Tamanduás andam muito ao entardecer, durante a noite e nas primeiras horas do dia, quando a luz é pior para quem dirige. Em trechos de Cerrado e Pantanal, placas de travessia de fauna marcam os pontos de passagem mais usados por eles.
Revirando um cupinzeiro no pasto
O buraco aberto na lateral do cupinzeiro, com terra fresca em volta, é a marca de uma refeição rápida. Os cupins fecham a abertura em pouco tempo, e o tamanduá segue para o próximo ninho.
Caído no acostamento
Os atropelamentos estão entre as maiores ameaças à espécie, considerada vulnerável. Registrar o lugar em aplicativos de monitoramento de fauna atropelada ajuda pesquisadores a mapear os trechos mais perigosos.
Por que acontece na natureza
O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) vive no Cerrado, no Pantanal e em outras áreas abertas e de mata. Enxerga mal, se orienta pelo olfato e come cupins e formigas, passando pouco tempo em cada ninho. Atropelamentos em rodovias estão entre as principais ameaças à espécie, classificada como vulnerável.
O que dizem as crenças populares
Austrália
Na Austrália, segundo Daniels e Stevans, um porco-espinho ou um “comedor de formigas” que chegasse perto de uma casa era presságio de que alguém dali ia morrer.
Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. II (1903), vol. II, p. 682. Ver a página
Para refletir
De quem você anda tirando mais do que essa pessoa consegue repor?