Ver o número 7777
O 7777 surpreende quem conhece o sete só como número sagrado. Nos ditados em português ele tem outra cara: “Sete, o diabo que te espete”, em Portugal, e “sete, a conta do mentiroso”, em Pernambuco.
O que pode significar
O mesmo sete que descansa no Gênesis vira alvo de zombaria nos ditados. Numa coletânea de 1885, Teófilo Braga anotou o par português “Trez, é a conta que Deus fez” e “Sete, o diabo que te espete”, e um velho ditado pernambucano chama o sete de conta do mentiroso. A graça está justamente aí: um número cheio de prestígio vira motivo de desconfiança na boca do povo. Ver 7777 pode servir para pensar em quem ou no que você confia pela reputação, e no que já conferiu por conta própria. Prestígio e confiança andam juntos, mas não são a mesma coisa.
Depende de como você viu
Quando alguém exagera numa história
Se o 7777 apareceu logo depois de você ouvir uma história boa demais para ser verdade, o ditado pernambucano cai como uma luva. Vale ouvir com carinho e checar depois, sem acusar ninguém.
No hodômetro do carro
Ver o painel marcar 7777 é um pequeno evento de estrada. É também uma medida de quanto chão o carro já fez com você: viagens, mudanças, idas ao trabalho. Quilometragem também é história.
Por que acontece na natureza
O hodômetro do carro passa por cada número uma única vez, e o 7777 chega devagar, quilômetro a quilômetro. Quem acompanha o painel vê a marca se aproximar e espera o momento, o que torna o número fácil de flagrar. Em placas e preços, a frequência dele é a mesma de qualquer combinação de quatro algarismos.
O que dizem as crenças populares
Portugal
Teófilo Braga (1885) anotou que o povo português diz “Trez, é a conta que Deus fez” e responde “Sete, o diabo que te espete”.
Fonte: Teófilo Braga, O povo portuguez nos seus costumes, crenças e tradições, vol. II (1885), p. 142. Ver a página
Pernambuco (Brasil)
O ditado “Um é a conta do porco, quatro a do pato, sete a do mentiroso” está entre os registros de Pereira da Costa (1908) sobre Pernambuco.
Fonte: F. A. Pereira da Costa, Folk-lore pernambucano, em Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. LXX, parte II (1908), p. 116. Ver a página
Para refletir
Em quem ou em que você confia pela reputação, sem nunca ter conferido por conta própria?