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Gato que vai embora de casa

Quando um gato vai embora de casa, o motivo tende a ser coisa de bicho: o cio, um território novo depois da mudança ou um esconderijo onde ficou preso. Muitos voltam sozinhos, e a busca começa bem perto.

O que pode significar

Gatos não explicam nada quando saem, e é justamente o silêncio que dói. A tigela fica cheia, a porta aberta, e a casa inteira começa a se perguntar o que fez de errado. Esse reflexo de levar a ausência para o lado pessoal é muito humano. Na maioria das vezes, o motivo do gato não tem nada a ver com afeto: é instinto, território, um susto, uma gata no muro da esquina.

Depende de como você viu

Logo depois de uma mudança

Gatos se orientam pelo território, e alguns tentam voltar ao endereço antigo. No velho Pernambuco, o gato de mudança viajava dentro de um saco para não guardar o caminho. Hoje se recomenda deixá-lo algumas semanas sem sair, até a casa nova virar território.

Um macho não castrado que some por dias

Machos inteiros percorrem distâncias grandes atrás de fêmeas no cio e muitas vezes voltam magros, às vezes machucados de briga. A castração diminui os comportamentos sexuais e de marcação que estão por trás de muitas dessas saídas.

Sumiu e não respondeu ao chamado

Gatos assustados ficam quietos e escondidos, muitas vezes a poucos metros de casa. Procurar à noite, em silêncio, com lanterna e um pote de ração, e pedir aos vizinhos que olhem garagens e depósitos fechados dá mais resultado do que chamar alto.

Por que acontece na natureza

Gatos são territoriais e se orientam por cheiros e marcas conhecidas. Machos não castrados chegam a ter territórios cerca de dez vezes maiores que os das fêmeas. Depois de uma mudança, alguns tentam voltar ao lugar antigo. Gatos doentes ou assustados procuram esconderijos silenciosos, e muitos ficam presos em garagens e depósitos sem conseguir sair.

O que dizem as crenças populares

Pernambuco (Brasil)

Em Pernambuco, Pereira da Costa contou que, para o gato não voltar à casa antiga numa mudança, ele era levado dentro de um saco e recebia azeite nas narinas, para perder o faro do caminho.

Fonte: F. A. Pereira da Costa, Folk-lore pernambucano, em Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. LXX, parte II (1908), p. 47. Ver a página

Para refletir

Quando alguém se afasta sem explicar, qual é a primeira história que você conta para si mesmo?