Gato que aparece em casa
Um gato que aparece em casa e volta todo dia escolheu o lugar por comida, abrigo e sossego. Na tradição pernambucana registrada em 1908, o gato se apega à casa, e não às pessoas, e por isso volta ao endereço antigo quando o dono se muda.
O que pode significar
Um gato que começa a frequentar o seu quintal não chegou por acaso. Ele testou o muro, cheirou a porta, avaliou se havia cachorro, se havia comida, se o barulho era suportável. E aprovou. Ser escolhido por um bicho desconfiado tem algo de lisonjeiro e algo de responsabilidade. Um lugar parece seguro para quem chega de fora quando tem silêncio, regularidade e alguém que não persegue nem exige, e o mesmo vale para uma pessoa nova na sua vida. Em Pernambuco, há mais de cem anos, dizia-se que o gato se apega à casa e não aos donos, o que talvez explique o cuidado com que ele avalia o lugar antes de ficar.
Depende de como você viu
Aparece só na hora da comida
Se ele chega quando há pote cheio e some depois, a relação ainda é de restaurante. Tudo bem. Dá para alimentar sem adotar, com água fresca por perto e, se possível, ajuda de uma ONG para a castração. Nem todo vínculo precisa virar compromisso para ser bom.
Entrou e dormiu no sofá
Quando um gato desconhecido dorme dentro da sua casa, ele confiou de um jeito que poucos bichos confiam. Antes de decidir ficar com ele, procure sinais de dono: coleira, pelo bem cuidado, cartazes no bairro. Pode haver uma família procurando por ele.
Uma gata com a ninhada no quintal
Uma gata que leva os filhotes para o seu quintal escolheu o lugar mais seguro que encontrou, um voto de confiança enorme. O passo mais útil, nesse caso, é buscar apoio para cuidar da ninhada e castrar a mãe depois que os filhotes desmamarem.
Por que acontece na natureza
Gatos são territoriais e dedicam muitas horas a patrulhar uma área que conhecem bem. Um lugar com comida regular, esconderijos, sol e pouca ameaça vira ponto de parada e, depois de alguns dias, pode virar território. Muitos gatos de rua foram abandonados ou se perderam, por isso vale verificar se o visitante tem dono antes de adotá-lo.
O que dizem as crenças populares
Pernambuco (Brasil)
Pereira da Costa anotou entre os pernambucanos a ideia de que o gato não é amigo de ninguém e só cria afeição à casa em que vive, e por isso volta para ela quando os donos se mudam ou o dão de presente a alguém.
Fonte: F. A. Pereira da Costa, Folk-lore pernambucano, em Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. LXX, parte II (1908), p. 47. Ver a página
Para refletir
Em que lugar você se sentiu à vontade logo na primeira visita, e o que havia ali?