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Ouvir choro de criança do nada

Ouvir choro de criança do nada geralmente tem explicação perto, mas fora de vista: um bebê no apartamento vizinho, uma gata no cio, uma televisão ligada. O ouvido humano é muito sensível a esse som.

Esta página descreve apenas crenças populares. Se a sensação se repetir ou preocupar, procure um médico.

O que pode significar

Poucos sons atravessam paredes e sono como um choro de criança. O ouvido humano parece feito para não conseguir ignorá-lo: a gente acorda, procura a origem, levanta da cama. Quando ele vem do nada, a origem mais comum está perto, mas fora de vista: um bebê no apartamento de cima, uma gata no telhado, uma televisão ligada de madrugada. Se for mesmo um bebê do prédio, há alguém atrás da parede passando a noite em claro, embalando, contando as horas. Essa pessoa reclama pouco, e quase ninguém pergunta se ela precisa de alguma coisa. Um choro sem dono de madrugada chama a atenção para os pais cansados que moram perto de você.

Depende de como você viu

Através da parede, em prédio

Num prédio, o som corre pelas lajes e pelos dutos e parece vir de lugares diferentes do real. Um choro do andar de baixo pode soar como se estivesse no seu corredor.

Num vídeo ou na TV do vizinho

Novelas, filmes e vídeos com bebês chorando atravessam paredes finas e janelas abertas. Sem a imagem, o som parece de verdade, e às vezes é preciso ouvir a trilha sonora que vem depois para entender.

No sítio, longe de qualquer casa

Em matas e beiras de rio, alguns bichos fazem chamados agudos e queixosos parecidos com choro. Correntes de vento em frestas de janelas e telhas também produzem sons semelhantes.

Por que acontece na natureza

O choro de bebê tem frequência e ritmo que prendem a atenção dos adultos com muita força, e por isso sons parecidos, como o chamado das gatas no cio, são confundidos com ele. Em prédios e casas próximas, o som viaja por paredes, lajes e dutos e engana sobre a direção de onde vem.

O que dizem as crenças populares

Pernambuco (Brasil)

Em Pernambuco, segundo Pereira da Costa, quem tivesse chorado ainda no ventre da mãe teria o dom de adivinhar e seria muito feliz.

Fonte: F. A. Pereira da Costa, Folk-lore pernambucano, em Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. LXX, parte II (1908), p. 120. Ver a página

Beira Alta (Portugal)

Na Beira Alta, Leite de Vasconcellos descreve os “bentos”, homens tidos como de virtude que, dizia o povo, falavam ou choravam quando ainda estavam no ventre materno.

Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), p. 303. Ver a página

Para refletir

Quem perto de você anda passando noites em claro, e o que ajudaria essa pessoa durante o dia?