Ver vulto preto em casa
Ver vulto preto em casa acontece de relance e com pouca luz: faróis de carro passando pela janela, um bicho de estimação, uma cortina que se mexe. A visão lateral percebe movimento muito melhor do que forma.
Esta página descreve apenas crenças populares. Se a sensação se repetir ou preocupar, procure um médico.
O que pode significar
Quase todo vulto aparece no mesmo tipo de lugar: o corredor que ninguém ilumina, a porta da cozinha vista do sofá, o canto onde a luz da rua não chega. É ali, com pouca claridade e no limite da visão, que o olho capta um movimento e não consegue dizer o que é. O susto é real, e não adianta brigar com ele. O que muda a experiência, muitas vezes, é algo bem simples: uma luz baixa no corredor, a cortina presa, o espelho tirado da frente da porta. Muitos medos se mantêm porque nunca ninguém mexeu numa condição pequena que os alimenta. Antes de qualquer outra coisa, dá para olhar para a planta da própria casa: onde estão os cantos que ficam sempre no escuro?
Depende de como você viu
Passando pela porta, à noite
Faróis de carro que atravessam a janela projetam manchas escuras que correm pela parede e pelos batentes em menos de um segundo. Em casas perto de ruas movimentadas, o efeito se repete a noite inteira.
No canto do olho, com a TV ligada
A luz da tela muda de intensidade o tempo todo e faz o escuro dos cantos se mexer. Como o olhar está preso na tela, a lateral da visão registra só o movimento, sem detalhe.
Baixo e rápido, perto do chão
Gatos e cães escuros atravessam corredores sem barulho, sobretudo à noite. Um vulto baixo, que passa rente ao rodapé, na maioria das vezes tem quatro patas.
Por que acontece na natureza
A parte lateral da retina tem muitas células sensíveis a movimento e pouca capacidade de distinguir detalhes, e com pouca luz essa diferença aumenta. Por isso algo em movimento no canto do campo de visão aparece como uma forma escura e indefinida, que desaparece quando se olha diretamente.
O que dizem as crenças populares
Famalicão (Portugal)
Em Famalicão, segundo Leite de Vasconcellos, dizia-se que cada pessoa tem duas sombras, uma mais negra e outra mais leve: uma do anjo da guarda e outra do demônio.
Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), p. 44. Ver a página
Vila Real (Portugal)
Em Vila Real, conforme o mesmo autor, olhar para a própria sombra era o mesmo que olhar para o Diabo.
Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), p. 44. Ver a página
Para refletir
Que medo seu poderia diminuir com uma mudança simples, como uma luz no corredor?