Bater o cotovelo
Bater o cotovelo dá aquele choque estranho que desce pelo braço até os dedos. Na tradição popular, o cotovelo também coça, é esfregado e até tagarela, e cada gesto ganhou o seu dito.
Esta página descreve apenas crenças populares. Se a sensação se repetir ou preocupar, procure um médico.
O que pode significar
Quando se bate o cotovelo, o lugar atingido quase não dói. O que incomoda é o formigamento que corre pelo braço e vai aparecer nos dedos, longe do ponto do choque. As emoções às vezes fazem o mesmo trajeto. Uma conversa difícil no trabalho reaparece à noite como impaciência com quem não tem nada com isso; uma preocupação com dinheiro vira cansaço no fim de semana. O incômodo se manifesta num lugar e nasceu em outro. Depois de bater o cotovelo, a primeira reação é sacudir a mão, que nem foi tocada. Nos dias tensos, repare onde você está sacudindo a mão e onde foi, de fato, a pancada.
Depende de como você viu
Na quina da mesa ou da porta
É o acidente clássico: o braço passa rente à quina e o cotovelo acerta em cheio. O susto passa logo, e o móvel continua no mesmo lugar, esperando a próxima vez. Uma quina que vive acertando alguém pede outra posição, não mais atenção.
Cotovelo coçando
Na Inglaterra de Shakespeare, esfregar o cotovelo era gesto de quem recebia novidades agitadas. A coceira, assim, ganhou fama de aviso de mudança. Quem gosta da leitura pode guardar a pergunta: que novidade você anda esperando?
Dor de cotovelo
No Brasil, a expressão nada tem de pancada: dor de cotovelo é ciúme, sobretudo de quem ficou para trás numa história de amor. É curioso que o português tenha posto esse sentimento justamente no ponto que dá choque.
Por que acontece na natureza
No cotovelo, entre a pele e o osso, há pouca proteção, e um nervo do braço passa bem por ali. Por isso uma pancada nesse ponto produz o choque e o formigamento que descem até os dedos, em vez de uma dor só no lugar atingido.
O que dizem as crenças populares
Yorkshire (Inglaterra)
Numa aldeia de Yorkshire, contam Daniels e Stevans, o noivo a caminho do casamento esfregava o cotovelo se encontrasse um conhecido, para que esse homem não tivesse influência sobre o afeto da noiva.
Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. I (1903), vol. I, p. 103 (file v 1). Ver a página
Inglaterra
A mesma enciclopédia recorda que, em Henrique IV, de Shakespeare, o rei fala de quem fica de boca aberta e esfrega o cotovelo com notícias de agitação, e liga o cotovelo que coça a uma mudança nas circunstâncias.
Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. I (1903), vol. I, p. 299 (file v 1). Ver a página
Pernambuco (Brasil)
Em Pernambuco, segundo Pereira da Costa, de um tagarela que falava pelos cotovelos dizia-se que tinha bebido água de chocalho.
Fonte: F. A. Pereira da Costa, Folk-lore pernambucano, em Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. LXX, parte II (1908), p. 110. Ver a página
Para refletir
Qual incômodo seu aparece num lugar da vida, embora tenha nascido em outro?