Ver fumaça branca do nada
Ver fumaça branca do nada, dentro de casa, costuma ser vapor de água: do chuveiro, da chaleira, da panela ou do ar quente encontrando uma janela fria. Poeira num raio de sol também parece fumaça.
Esta página descreve apenas crenças populares. Se a sensação se repetir ou preocupar, procure um médico.
O que pode significar
Num dia frio, o próprio hálito vira fumaça branca na frente do rosto. O ar que sai da boca é o mesmo de sempre, quente e úmido; o que mudou foi o contraste com o frio, que torna visível o vapor que estava ali o tempo todo. Boa parte da fumaça branca vista de repente em casa nasce assim: o vapor do banho encontrando o corredor gelado, a chaleira perto da janela aberta. Certas coisas da vida também só se mostram no contraste. O cuidado de alguém que sempre esteve ao lado fica visível no dia difícil; a firmeza de uma amizade aparece quando esfria lá fora. Uma nuvem branca inesperada pode ser a deixa para reparar no que o frio do momento está deixando à vista.
Depende de como você viu
Saindo do banheiro depois do banho
O vapor quente do chuveiro se condensa ao encontrar o ar mais frio do corredor e forma uma névoa branca que se desfaz em segundos. Em dias frios, o efeito é maior.
Num raio de sol na sala
Poeira, fiapos e pólen estão sempre no ar, mas só aparecem quando um feixe de luz atravessa o cômodo escuro. A luz espalhada pelas partículas desenha uma faixa que parece fumaça.
Com cheiro de queimado
Se a fumaça vem com cheiro de queimado, de plástico ou de fio elétrico, a explicação deixa de ser vapor: desligue os aparelhos, procure a origem e, se não encontrar, chame os bombeiros pelo 193.
Por que acontece na natureza
A fumaça branca vista em casa é, na maioria das vezes, vapor de água que se condensa em gotículas quando o ar morno e carregado de umidade encontra superfícies ou ar mais frios. Partículas de poeira suspensas também ficam visíveis num feixe de luz, porque espalham a claridade. Fumaça de algo queimando, ao contrário, vem acompanhada de cheiro.
O que dizem as crenças populares
Basto (Portugal)
Em Basto e em outras terras do Minho, segundo Leite de Vasconcellos, quando alguém morria queimava-se a palha do colchão: se a fumaça subia direita, a alma tinha ido para o céu; se pendia para a direita, para o purgatório; para a esquerda, para o inferno.
Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), p. 38. Ver a página
Pinhel (Portugal)
Perto de Pinhel, conforme o mesmo autor, queimavam-se as primícias dos frutos sobre um dólmen: fumaça subindo reta prometia boa colheita.
Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), p. 38. Ver a página
Famalicão (Portugal)
Em Famalicão, punham-se no fogo as pinhas queimadas no Natal, e acreditava-se que, aonde chegasse a fumaça, não caía raio.
Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), p. 64. Ver a página
Para refletir
Que cuidado que sempre esteve ao seu lado só ficou visível num momento difícil?