Everyday Omens

Sagui na janela

Sagui na janela é cena comum em cidades com árvores, sobretudo onde alguém oferece comida. Esses macaquinhos, muitas vezes de espécies levadas de outras regiões, se acostumam depressa às casas.

O que pode significar

Em 2017 e 2018, com o avanço da febre amarela no Sudeste, saguis e bugios foram atacados e mortos por medo de que transmitissem a doença. Não transmitem. Quem leva o vírus é o mosquito, e os macacos adoecem como as pessoas. Por isso um macaco encontrado sem vida no mato funciona como aviso precoce: mostra que o vírus está circulando e que a vacinação precisa chegar àquela área. Matar o bicho é desligar o alarme. A confusão entre quem avisa de um problema e quem o causa não acontece só com macacos. Quem dá a notícia ruim no trabalho, o filho que conta o que viu, a vizinha que reclama do vazamento: todos correm o risco de virar culpados. O sagui na janela ajuda a não esquecer essa diferença.

Depende de como você viu

Pedindo comida no parapeito

Saguis que recebem pão, banana ou biscoito perdem o medo e voltam todo dia, às vezes com o bando inteiro. Comida de gente faz mal a eles, e a proximidade aumenta o risco de mordidas. O melhor é não dar comida e deixar que eles busquem frutos, insetos e seiva nas árvores.

Com tufos brancos ou pretos nas orelhas

O sagui-de-tufo-branco é nativo do Nordeste e o de tufo-preto, do Cerrado. Os dois foram levados a outras regiões, como Rio de Janeiro e São Paulo, onde se tornaram invasores e cruzam com saguis nativos da Mata Atlântica.

Sozinho, parado ou caído

Macaco doente ou sem vida deve ser comunicado à secretaria de saúde ou ao serviço de vigilância da cidade, sem tocar no animal. A informação ajuda a rastrear doenças como a febre amarela.

Por que acontece na natureza

Os saguis (gênero Callithrix) são pequenos primatas, com cerca de 20 centímetros de corpo, que vivem em grupos familiares; a dieta inclui frutos, insetos, ovos e a goma que extraem roendo a casca das árvores. Adaptam-se bem a parques e jardins; onde recebem comida, passam a frequentar janelas e varandas.

O que dizem as crenças populares

Pernambuco (Brasil)

Numa série de versos populares recolhidos em Pernambuco por Pereira da Costa, que brincam com o nome das coisas conforme o tamanho e a idade, diz-se que “a onça em pequena é gato” e que “o saguim velho é macaco”.

Fonte: F. A. Pereira da Costa, Folk-lore pernambucano, em Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. LXX, parte II (1908), p. 577. Ver a página

Para refletir

Quem já levou a culpa, na sua vida, só por ter dado uma notícia ruim?