Sapo na porta de casa
Um sapo na porta de casa, à noite, provavelmente está caçando os insetos que a lâmpada atrai. Em Pernambuco, ele inspirou a expressão “opinião de sapo”, para a teimosia que machuca o próprio teimoso.
O que pode significar
Conta-se em Pernambuco que um sapo, preso sob a pata de um boi, preferiu aguentar o peso por muito tempo a pedir que o animal se desviasse. Daí a expressão “opinião de sapo”, usada para a teimosia num capricho que só causa prejuízo a quem insiste nele. O sapo que aparece na porta de casa, imóvel sob a lâmpada, combina com a história: parece decidido a não sair dali por nada. Teimosia assim parece força de caráter, mas costuma ser só medo de recuar. No Minho, quem via um sapo cuspia três vezes; em Pernambuco, matar sapo fazia mal a quem o matasse.
Depende de como você viu
Parado sob a luz da varanda
A lâmpada atrai insetos, e o sapo descobriu que basta esperar embaixo dela para o jantar chegar. Ele volta noite após noite ao mesmo ponto. Que lugar da sua rotina funciona assim, quase sem esforço, e você nunca tinha reparado?
Perto do pote de ração do cachorro
O sapo-cururu também come ração e restos. O risco é para o cachorro: a secreção das glândulas atrás dos olhos do sapo é tóxica para animais que o mordem. Recolha o pote à noite e afaste o sapo com uma vassoura, sem machucar.
Um sapo enorme no meio do caminho
O sapo-cururu pode ficar bem grande e não sai do lugar com facilidade. Contornar é mais simples do que discutir com ele, e o mesmo pode valer para algumas pessoas e algumas manias.
Por que acontece na natureza
O sapo-cururu é um dos sapos mais conhecidos dos quintais brasileiros. É mais ativo à noite, come insetos e outros pequenos animais, e também ração e restos de comida. As grandes glândulas atrás dos olhos soltam um líquido leitoso e tóxico quando pressionadas, perigoso para cães e gatos que mordem o sapo.
O que dizem as crenças populares
Pernambuco (Brasil)
Em Pernambuco dizia-se que faz mal matar o sapo: como ele não apodrece e fica todo ressecado, assim ficaria o corpo de quem o matasse. Contava-se ainda que um sapo aguentou o peso de um boi para não pedir que se desviasse, origem da expressão “opinião de sapo”.
Fonte: F. A. Pereira da Costa, Folk-lore pernambucano, em Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. LXX, parte II (1908), p. 54. Ver a página
Minho (Portugal)
No Minho, quando se via um sapo, cuspia-se três vezes, para que não acontecesse mal.
Fonte: Teófilo Braga, O povo portuguez nos seus costumes, crenças e tradições, vol. II (1885), p. 87. Ver a página
Para refletir
Em que situação você continua aguentando o peso só para não admitir que errou?