Everyday Omens

Galinha entrando em casa

A galinha que entra em casa está atrás de comida, como farelo no chão ou ração do cachorro. Numa lenda de Pernambuco registrada por Pereira da Costa, ela tem os pés excomungados por ter espalhado a palha da manjedoura.

O que pode significar

A galinha não entra em casa para fazer bagunça; entra procurando. Cada ciscada empurra terra para trás e revela alguma semente ou um bichinho escondido. Para quem acabou de varrer, porém, a cena é desastre. Na velha história contada em Pernambuco, os pés da galinha eram excomungados porque ela espalhava a palha que o boi e o carneiro juntavam para a cama do Menino Jesus. A lenda culpa o jeito, sem reparar na fome. Há gente assim também, como o filho que desarruma a sala inteira atrás de um carregador. Antes de reclamar da bagunça, vale perguntar o que a pessoa estava procurando, e se dá para ajudar a achar.

Depende de como você viu

Ciscando o chão da cozinha

Farelos embaixo da mesa e a ração de cães e gatos são irresistíveis. Uma tela no portão da cozinha e a ração recolhida depois das refeições resolvem a maior parte das visitas.

Duas brigando no quintal

Ainda em Pernambuco, a galinha que brigava com outra era sinal de visita. Na prática, as brigas acontecem por comida, por espaço no poleiro ou quando uma ave nova chega ao grupo.

Uma galinha que foge do galinheiro

Em Oliveira de Azeméis, conforme Leite de Vasconcellos, para a galinha não fugir passavam-na por baixo de uma tripeça repetindo uns versos. Hoje, uma cerca mais alta e o galinheiro fechado ao anoitecer resolvem quase sempre.

Por que acontece na natureza

Galinhas passam boa parte do dia ciscando: raspam o chão com as patas para trás e bicam o que aparece, de sementes a insetos e restos de comida. Curiosas e acostumadas com gente, entram em cozinhas e varandas atrás de farelos e da ração de outros animais. Ao anoitecer, voltam ao galinheiro guiadas pelo hábito.

O que dizem as crenças populares

Pernambuco (Brasil)

Na lenda que Pereira da Costa ouviu em Pernambuco, a galinha tem os pés excomungados porque espalhava as palhinhas que o boi e o carneiro juntavam no estábulo para o leito do Menino Jesus.

Fonte: F. A. Pereira da Costa, Folk-lore pernambucano, em Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. LXX, parte II (1908), p. 46. Ver a página

Pernambuco (Brasil)

Também entre os pernambucanos, a briga de duas galinhas anunciava visita.

Fonte: F. A. Pereira da Costa, Folk-lore pernambucano, em Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. LXX, parte II (1908), p. 59. Ver a página

Oliveira de Azeméis (Portugal)

Para a galinha não fugir, em Oliveira de Azeméis, passava-se a ave por baixo de uma tripeça, dizendo três vezes: “Eu por aqui te passo e aqui te torno a passar; quando eu te procurar, aqui te venha achar.”

Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), pp. 152-153. Ver a página

Para refletir

Quem desarruma o que você arrumou, e o que essa pessoa estava procurando?