João-de-barro fazendo ninho
Ver um joão-de-barro fazendo ninho é acompanhar uma obra de semanas: o casal leva bolinhas de barro e palha, uma a uma, até erguer uma casa fechada com parede interna. Depois que eles saem, outras aves podem ocupar a construção.
O que pode significar
O casal de joões-de-barro trabalha como pedreiro caprichoso. Durante semanas, leva bolinhas de barro misturado com palha até um galho, um poste ou o alto de um muro, e ergue um forno arredondado com uma parede interna que protege a câmara dos ovos. A obra é tão firme que dura muito mais do que a temporada da família. Depois, outras aves acabam morando nos ninhos abandonados. Quem constrói bem raramente constrói só para si. Uma horta comunitária, por exemplo, continua dando sombra e alimento quando quem a começou já seguiu adiante. Ver um joão-de-barro trabalhando faz pensar no que você está erguendo e em quem vai morar ali depois.
Depende de como você viu
Carregando barro depois da chuva
O casal aproveita a época em que há lama mole à disposição, nas poças e beiras de rua. Dá para acompanhar o vaivém: cada viagem traz uma bolinha no bico, e a parede cresce aos poucos, camada por camada.
Ninho no poste ou no muro de casa
O joão-de-barro escolhe lugares altos e firmes, inclusive perto de gente. Ninhos de aves silvestres em uso são protegidos por lei no Brasil; se a obra incomoda, o caminho é esperar o fim da criação dos filhotes.
Um ninho antigo com outro morador
Ninhos abandonados viram abrigo para andorinhas, pardais, canários-da-terra e outras aves. Às vezes a dupla ergue uma casa nova colada em cima da antiga, e o poste ganha um prédio de dois andares.
Por que acontece na natureza
O joão-de-barro é uma ave do Brasil e de países vizinhos que constrói um ninho fechado de barro e palha, em forma de forno, com entrada lateral e uma parede interna que separa a câmara onde ficam os ovos. Macho e fêmea trabalham juntos por semanas. Os ninhos são resistentes e muitas vezes são reaproveitados por outras espécies.
Para refletir
O que você construiu que hoje abriga outras pessoas?