Everyday Omens

Ver uma andorinha

Ver andorinhas voando baixo era, na Beira, aviso de chuva, e há fundamento: antes do tempo virar, os insetos descem e as andorinhas vão atrás. A ave convida a ler mudanças em sinais pequenos.

O que pode significar

Muito antes da previsão do tempo no celular, quem vivia no campo olhava para o céu e para as andorinhas. Quando elas passavam rasteiras, rentes à grama, era hora de recolher a roupa do varal. A observação tinha base: com o ar pesado de umidade, os insetos voam mais baixo, e as andorinhas caçam onde a comida está. As mudanças da sua própria rotina vêm com pequenos avisos parecidos: um cansaço que chega sempre na mesma época, uma conversa que esfria, uma alegria que volta. Não se trata de adivinhar o futuro, e sim de ler melhor o presente. Na Estremadura portuguesa, elas eram poupadas por serem “galinhas de Nosso Senhor”.

Depende de como você viu

Voando rente ao chão

É a cena que deu origem ao ditado sobre a chuva. As andorinhas capturam insetos no ar e acompanham a altura em que eles estão. Reparar nisso é um exercício simples de atenção: que mudança pequena você notou nos últimos dias e ainda não levou a sério?

Pousadas em fila nos fios

Ao entardecer elas se enfileiram nos fios de luz, lado a lado, ajeitando as penas. É um descanso coletivo entre caçadas. Parar ao lado de quem faz o mesmo caminho também ajuda a recuperar o fôlego.

Entrando no galpão ou na garagem

Algumas andorinhas fazem ninho em frestas de construções, e por isso entram e saem de galpões, garagens e varandas com toda a naturalidade. Se uma escolheu a sua, ela confia na estabilidade do lugar. Vale cuidar para não fechar a passagem enquanto houver ovos ou filhotes lá dentro.

Por que acontece na natureza

Andorinhas comem insetos capturados no ar e acompanham a altura em que eles voam. Com tempo úmido e instável, muitos insetos ficam mais perto do chão, e as aves descem junto. A andorinha-pequena-de-casa (Pygochelidon cyanoleuca), comum nas cidades brasileiras, faz ninho em cavidades de construções, barrancos e pontes.

O que dizem as crenças populares

Beira (Portugal)

Na Beira e em outras regiões de Portugal dizia-se que, quando as andorinhas andam rasteiras, quer dizer chuva.

Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), p. 157. Ver a página

Portugal

Na Estremadura portuguesa não se deviam matar andorinhas, porque elas eram “galinhas de Nosso Senhor”. Em Paços de Ferreira contava-se que iam todos os dias ao céu lavar os pés do Senhor, por isso também não se matavam os filhotes delas.

Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), p. 156. Ver a página

Para refletir

Que detalhe miúdo aparece em você pouco antes de uma virada importante na rotina?