Everyday Omens

Pomba na janela

Uma pomba na janela não escolheu você por acaso: para ela, parapeitos e beirais imitam as fendas dos rochedos onde seus ancestrais faziam ninho. Ver a casa com os olhos de quem chega pode mudar o recado.

O que pode significar

O pombo das cidades descende de uma ave que vivia em penhascos, e é por isso que ele se sente tão à vontade nos prédios: cada janela é uma saliência, cada vão do telhado é uma pequena caverna. A mesma fachada que para você é casa, para ele é paisagem. Essa troca de ponto de vista é o que a visita oferece. Uma pomba na janela convida a olhar o próprio lugar como alguém que acabou de chegar: o que parece abrigo, o que parece obstáculo, onde dá para pousar. As velhas crenças portuguesas não chegavam a um acordo sobre os pombos: em Gaia, casa sem pombas não era afortunada, mas outro ditado avisava “casa de pombos, casa de tombos”.

Depende de como você viu

No parapeito ou no ar-condicionado

É o pouso preferido porque fica alto, protegido do vento e perto do chão onde há comida. Se ela volta todos os dias no mesmo horário, a rotina é dela, não um recado. Repare se essa presença traz companhia ou incômodo para você, e decida sem culpa o que fazer com o espaço.

Uma rolinha em vez de pombo

As rolinhas são menores, cor de terra, e andam aos pares pelo quintal ou pela calçada, sem a pressa dos pombos. São aves nativas e muito comuns no Brasil. Elas passam despercebidas justamente por serem discretas: quem mais, na sua vida, faz parte da paisagem sem pedir atenção?

Fazendo ninho na varanda

Um ninho de pombo é um amontoado de gravetos sem capricho, às vezes num vaso ou atrás de uma caixa. O casal se reveza nos ovos e volta ao mesmo lugar várias vezes por ano. Se você não quer moradores fixos, o melhor momento para dizer não é antes do primeiro ovo, com uma barreira simples.

Por que acontece na natureza

O pombo-doméstico (Columba livia) descende do pombo-das-rochas, que faz ninho em penhascos e cavernas. Prédios oferecem saliências parecidas, além de comida farta nas ruas, por isso a espécie prosperou nas cidades. Os pombos alimentam os filhotes com o chamado leite de papo, secretado pela parede do próprio papo, o que permite várias ninhadas por ano.

O que dizem as crenças populares

Paredes de Coura (Portugal)

Em Paredes de Coura, no norte de Portugal, quando os pombos abandonavam o pombal, era desgraça certa para alguém da casa.

Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), p. 157. Ver a página

Portugal

Em Gaia dizia-se que quem não tem pombas em casa não é afortunado. Outro ditado português, registrado na mesma época, ia no sentido contrário: “casa de pombos, casa de tombos”.

Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), pp. 157-158. Ver a página

Estremadura (Portugal)

Na Estremadura portuguesa, quem um dia criasse pombos não devia mais deixar de tê-los, porque parar era tido como agouro.

Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), p. 157. Ver a página

Para refletir

Se alguém chegasse hoje à sua casa pela primeira vez, onde essa pessoa conseguiria pousar e onde esbarraria?