Vela que se apaga sozinha
Quando uma vela se apaga sozinha, sem corrente de ar, é comum que o pavio tenha se afogado na cera que escorreu em volta. Em Pernambuco, o estalo do pavio ao acender já era mau agouro; no Douro, apagar uma de três luzes adiava casamento.
O que pode significar
A chama de uma vela precisa de duas coisas: combustível e ar. Quando a cera derrete demais em volta de um pavio curto ou fino, forma uma poça que sobe, alcança a chama e a apaga por baixo. Não faltou nada; sobrou. Certos cuidados apagam a chama pelo mesmo motivo. Proteger alguém o tempo todo, resolver tudo por essa pessoa, encher de recomendações quem só queria um pouco de ar: a intenção é manter a chama acesa, e o excesso a sufoca. Antes de culpar o vento, convém olhar o tamanho da poça. No Pernambuco colonial, segundo Loreto Couto, até o pavio da candeia que espirrava entrava na lista dos maus agouros.
Depende de como você viu
Num apagão
Quando falta energia, a vela vira a lâmpada da casa, e ela se apagar no meio do jantar é transtorno. Velas mais grossas, firmes num pires e afastadas de tecidos, duram mais e oferecem menos risco.
Num jantar à luz de velas
Velas de mesa se apagam quando a sala tem ventilador ligado ou porta aberta para o quintal: a chama se inclina, treme e some. Mudar a vela de posição resolve antes que o clima da noite mude junto.
Deixando um fio de fumaça
Quando a vela se apaga, sobe um fio de fumaça branca que dança no ar do cômodo. Por alguns segundos, ele desenha o caminho de uma corrente de ar que, até então, ninguém via.
Por que acontece na natureza
A vela queima porque o pavio puxa a cera derretida até a chama. Se o pavio é curto ou fino demais para a vela, a poça de cera cresce, cobre o pavio e apaga a chama; se é grosso demais, derrete a superfície depressa e a poça também fica funda. Correntes de ar de ventiladores e janelas são a outra causa comum.
O que dizem as crenças populares
Pernambuco (Brasil)
Em Pernambuco, o estalar do pavio quando se acendia uma vela ou um candeeiro era de mau agouro.
Fonte: F. A. Pereira da Costa, Folk-lore pernambucano, em Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. LXX, parte II (1908), p. 113. Ver a página
Pernambuco (século XVIII)
O cronista Loreto Couto, escrevendo sobre Pernambuco em meados do século XVIII, punha o espirrar do morrão da candeia na lista dos maus prognósticos.
Fonte: F. A. Pereira da Costa, Folk-lore pernambucano, em Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. LXX, parte II (1908), p. 111. Ver a página
Douro (Portugal)
No Douro dizia-se que a pessoa que apagasse uma de três luzes acesas não se casaria naquele ano.
Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), p. 40. Ver a página
Para refletir
De quem você cuida tanto que talvez esteja tirando o ar de que essa pessoa precisa?