Achar bolinha de gude
Achar bolinha de gude na terra do quintal, numa fresta do assoalho ou debaixo do sofá é encontrar um resto de brincadeira, às vezes de uma criança da casa, às vezes de quem morou ali décadas antes.
O que pode significar
Quem jogou bolinha de gude na infância sabe mirar com o polegar, medir a distância com os olhos e esperar a vez com paciência. Eram habilidades levadas a sério, com regras, campeonatos de calçada e bolinhas preferidas guardadas no bolso. Muitas dessas competências somem da vida adulta sem que ninguém perceba: a concentração inteira num gesto, a negociação das regras, o prazer de treinar só porque sim. Uma bolinha achada no quintal devolve por um instante esse menino ou essa menina. Pode ser um bom pretexto para pensar em que talentos da infância você deixou rolar para baixo do sofá, e se algum deles ainda caberia hoje na sua mão.
Depende de como você viu
Na terra do quintal
Bolinhas de vidro resistem décadas debaixo da terra, e aparecem quando se cava um canteiro ou se reforma um piso. Muitas vezes são de crianças que moraram ali antes, numa época em que o quintal era campo de jogo.
Rolando sozinha pelo chão
Uma bolinha que rola sempre para o mesmo canto denuncia que o piso não está nivelado. Há quem use bolinhas de gude justamente para testar o caimento de um chão antes de uma obra.
Uma bolinha olho de gato
As bolinhas com um veio de cor no meio, conhecidas como olho de gato, eram as mais cobiçadas em muitas rodas de jogo. Achar uma pode trazer de volta o nome de quem sempre ganhava as suas.
Por que acontece na natureza
As bolinhas de gude são feitas de vidro maciço, material que não apodrece nem enferruja e por isso resiste anos na terra ou em frestas de assoalho. Por serem esféricas, rolam até o ponto mais baixo de qualquer superfície, e acabam se acumulando em cantos, ralos e debaixo de móveis.
O que dizem as crenças populares
Estados Unidos
Daniels e Stevans reproduzem um feitiço que atribuem a Mark Twain: enterrar uma bolinha de gude e deixá-la ali por quinze dias faria aparecer junto dela todas as bolinhas que a pessoa tinha perdido.
Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. I (1903), vol. I, p. 37 (file v 1). Ver a página
Para refletir
Que talento da sua infância ficou guardado num canto e talvez ainda coubesse na sua mão hoje?