Achar um dente
Achar um dente dentro de casa, numa gaveta, no tapete ou no quintal, tem, na maioria dos casos, explicação doméstica: um dente de leite guardado, um filhote de cachorro ou gato trocando a dentição. Cada achado marca um crescimento.
O que pode significar
Um dente de leite encontrado no fundo de uma gaveta tem o poder de parar o tempo da casa. De repente alguém lembra da janelinha no sorriso, do dinheiro deixado debaixo do travesseiro, de uma criança que hoje já é maior que os pais. O crescimento aconteceu enquanto todos olhavam para outro lado, ocupados com a escola, o trabalho, o jantar. Achar um dente faz ver o quanto as mudanças importantes acontecem sem aviso, aos poucos, e só ficam visíveis quando um pequeno objeto sobra pelo caminho. Aproveite o achado para olhar com mais atenção para alguém da casa que está crescendo, mudando ou envelhecendo agora mesmo, debaixo do seu nariz.
Depende de como você viu
Dente de leite numa caixinha
Muitas famílias guardam o primeiro dente que caiu, junto com mechas de cabelo e pulseirinhas da maternidade. Achar a caixinha anos depois rende muitas vezes uma tarde inteira de fotos antigas e histórias contadas à mesa.
Um dentinho no tapete, com um filhote em casa
Cachorros e gatos também trocam os dentes de leite nos primeiros meses de vida. A maioria é engolida ou se perde sem ninguém notar, mas de vez em quando um aparece no tapete ou no brinquedo de morder.
Um dente achado na terra do quintal
Dentes resistem muito tempo na terra. Um achado assim pode ser de um animal que passou por ali há anos, como gambá, roedor ou bicho de criação antigo. Lavar e observar o formato já conta boa parte da história.
Por que acontece na natureza
Os dentes estão entre as partes mais duras e resistentes do corpo, por isso duram anos em gavetas e até no solo. Crianças trocam os dentes de leite aproximadamente entre os seis e os doze anos, e cães e gatos fazem a troca ainda filhotes, muitas vezes sem que os donos percebam.
O que dizem as crenças populares
Pernambuco (Brasil)
Em Pernambuco, segundo Pereira da Costa, a criança devia jogar o dente tirado no telhado da casa, dizendo: “Mourão, mourão, toma teu dente podre, dá cá o meu são”, para que o novo nascesse bonito e sem demora.
Fonte: F. A. Pereira da Costa, Folk-lore pernambucano, em Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. LXX, parte II (1908), p. 103. Ver a página
Gaia (Portugal)
Em Gaia e em outras terras portuguesas, conforme Leite de Vasconcellos, a criança jogava o dente para trás das costas, dizendo três vezes: “Dente fora, outro melhor na cova”.
Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), p. 205. Ver a página
Madagascar
Em Madagascar, segundo Daniels e Stevans, a criança que perdia um dente o jogava em cima da casa, dizendo que trocava o ruim pelo bom.
Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. I (1903), vol. I, p. 337 (file v 1). Ver a página
Para refletir
Quem da sua casa está crescendo ou mudando agora, sem que você tenha reparado direito?