Achar sapato de bebê na rua
Achar sapato de bebê na rua é cena comum: o pezinho chuta, o sapato cai do carrinho e ninguém percebe. Muitas vezes, quem passou antes já o pendurou numa grade, à altura dos olhos de quem vai voltar procurando.
O que pode significar
Ninguém ensina, mas quase todo mundo faz: quem acha um sapatinho de bebê na calçada não o leva para casa nem o deixa no chão. Pendura na grade, apoia em cima do muro, prende no galho mais baixo da árvore, à vista de quem vai refazer o caminho. É uma gentileza entre desconhecidos que nunca vão se encontrar, um acordo silencioso da rua. A cidade tem muitas regras assim, nunca escritas e cumpridas por gente que não se conhece: segurar a porta do elevador, avisar que o farol do carro está aceso, devolver a carteira no balcão. Achar um sapatinho é uma chance de perceber quantas dessas regras você segue sem pensar.
Depende de como você viu
Pendurado numa grade ou num muro
Se alguém já o pôs à vista, vale deixá-lo onde está: os pais que voltam procurando vão olhar justamente ali. Tirar do lugar, mesmo com boa intenção, pode atrapalhar o reencontro.
Um pé só, caído na calçada
Erguer o sapatinho até um ponto alto, à vista, próximo do local do achado, é o gesto mais útil. Uma foto num grupo do bairro também ajuda, porque muitos pais procuram primeiro na internet.
Um sapatinho de crochê
Sapatinhos de crochê ou de tricô feitos à mão quase sempre têm uma avó ou uma tia por trás. Para a família, valem muito mais do que o preço de um novo, e merecem um pouco mais de esforço para voltar.
Por que acontece na natureza
Bebês chutam e mexem os pés o tempo todo, e sapatinhos macios e folgados saem com facilidade no carrinho, no sling ou no colo. Os pais, carregando bolsa, sacolas e a própria criança, raramente percebem na hora. Por isso esses achados se concentram perto de praças, pontos de ônibus e calçadas movimentadas.
O que dizem as crenças populares
Irlanda
Na Irlanda, segundo Daniels e Stevans, achar um sapato de fada dava sorte, mas, se fosse mostrado a alguém, a sorte se invertia.
Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. III (1903), vol. III, p. 1279 (file v 3). Ver a página
Para refletir
Que regra de gentileza você segue sem pensar, com desconhecidos que nunca vai voltar a ver?