Perereca dentro de casa
Uma perereca dentro de casa, no banheiro ou na lavanderia, procura umidade e insetos. Em Portugal, ouvir rãs cantando era promessa de bom tempo; aqui, a perereca no ralo pode denunciar um vazamento.
O que pode significar
A perereca não escolhe o banheiro por acaso. Ela precisa de umidade para manter a pele molhada e encontra ali, perto do ralo e do box, o canto mais úmido da casa, muitas vezes com mosquitinhos de brinde. Quando ela volta toda semana, é comum haver por perto um cano que pinga ou uma parede que absorve água há meses, sem barulho nenhum. Vazamentos assim raramente começam grandes: o estrago vem da constância. O desgaste de todo dia obedece à mesma regra: o cansaço se acumula a cada noite mal dormida, e a conversa adiada vai umedecendo a convivência. Uma gota por dia parece nada; um ano de gotas mancha a parede inteira.
Depende de como você viu
Grudada no azulejo do box
Os discos nas pontas dos dedos funcionam como ventosas e permitem que ela suba em paredes lisas e até no vidro. Para tirá-la, use um pote e um cartão, sem apertar, e solte num canto úmido e sombreado do quintal.
Saindo do ralo
Pererecas também usam canos e ralos como esconderijo, e algumas sobem pela tubulação até o banheiro. Uma tampa no ralo, fechada à noite, basta para impedir a entrada sem machucar ninguém.
Cantando no quintal depois da chuva
Depois da chuva, os machos cantam para atrair as fêmeas, e o coro pode durar horas. O som enche a noite de um jeito que a cidade quase esqueceu. O que você escuta quando a casa finalmente fica em silêncio?
Por que acontece na natureza
Pererecas são anfíbios com discos adesivos nas pontas dos dedos, que permitem escalar árvores, paredes e vidros. Precisam de umidade para respirar em parte pela pele e manter o corpo hidratado, por isso aparecem em banheiros, lavanderias e cozinhas. Algumas espécies são tão comuns nesses lugares que ganharam o apelido de perereca-de-banheiro.
O que dizem as crenças populares
Portugal
Em Portugal, as rãs que cantavam anunciavam bom tempo. Em Paços de Ferreira dizia-se que matar rãs dava dor de cabeça, porque elas subiam diariamente ao céu para lavar os pés do Senhor.
Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), p. 141. Ver a página
Para refletir
O que anda pingando aos poucos na sua rotina e, somado, já pesa mais do que parece?