Rato em casa
Um rato em casa provavelmente entrou por uma fresta atrás de comida e abrigo. No Recife, uma lenda contava que um rato roeu a carta de alforria do cachorro, guardada pelo gato no telhado, e assim começou a briga dos três.
O que pode significar
No Recife, há mais de um século, contava-se uma história para explicar por que cão, gato e rato vivem em guerra. O cachorro, que antes era livre, entregou ao gato a sua carta de alforria para guardar. O gato escondeu o papel entre as telhas e esqueceu; o rato achou e roeu tudo para forrar o ninho. O cachorro voltou ao cativeiro, brigou com o gato, e o gato jurou vingança ao rato. A lenda tem graça e fala de um tempo duro, mas também de algo bem cotidiano: um papel importante largado num canto, uma pequena negligência que vira uma cadeia de prejuízos.
Depende de como você viu
Barulhinhos no forro à noite
Ratos e camundongos são mais ativos no escuro e usam forros e paredes como corredores. O ruído de patinhas e de roedura é o primeiro indício. Escutar com atenção ajuda a descobrir por onde eles circulam antes de qualquer outra providência.
Papel picado no fundo da gaveta
Roedores picam papel, pano e papelão para forrar o ninho, como o rato da lenda. Encontrar uma gaveta assim é um aviso prático: o que você guarda ali estava mais exposto do que parecia.
Um camundongo atravessando a cozinha de dia
Ver um roedor em plena luz acontece mais quando há muitos na casa ou quando a comida está fácil demais. Vedar frestas, guardar alimentos em potes fechados e não deixar lixo aberto à noite são as medidas mais eficazes.
Por que acontece na natureza
Ratos e camundongos têm dentes da frente que crescem a vida toda e precisam ser gastos roendo, por isso atacam papel, madeira, fios e embalagens. Um camundongo passa por frestas muito estreitas, da largura de um lápis. Eles entram em casas atrás de comida, água e abrigo, sobretudo quando esfria ou chove muito.
O que dizem as crenças populares
Recife (Brasil)
No Recife, segundo o registro de 1908, contava-se que o cachorro entregou ao gato sua carta de alforria; o gato a escondeu no telhado e o rato a roeu para fazer o ninho. Por isso o cão briga com o gato, e o gato persegue o rato.
Fonte: F. A. Pereira da Costa, Folk-lore pernambucano, em Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. LXX, parte II (1908), pp. 48-49. Ver a página
Para refletir
Que papel ou combinado importante da sua vida está guardado de qualquer jeito?