Quero-quero cantando à noite
Ouvir um quero-quero cantando à noite quer dizer, em geral, que algo se moveu perto do grupo ou do ninho: o grito de aviso dessa ave não escolhe hora. No sul da Escócia, o abibe, parente europeu dele, já foi tido como ave de azar.
O que pode significar
Quem mora perto de um campo com quero-queros aprende que ali ninguém passa sem aviso. Basta um cachorro atravessar o gramado de madrugada para que o grito corra pelo campo. No sul da Escócia, dizem Daniels e Stevans, o abibe ganhou fama de ave de azar porque seus gritos teriam denunciado fugitivos escondidos durante perseguições religiosas do século XVII. A mesma voz que protege um ninho expõe quem queria passar em silêncio. Viver perto de quem nota tudo tem esses dois lados. Há lugares em que ser visto dá segurança, e há dias em que tudo o que se quer é atravessar sem plateia.
Depende de como você viu
Gritando de madrugada
Cães, gatos, gambás e pessoas passando perto disparam o grito, e outros quero-queros podem repetir. Em campos e praças iluminados, a movimentação humana dura até tarde, e o barulho também.
Mergulhando na direção de quem passa
Na época dos filhotes, ele desce em mergulhos curtos sobre quem se aproxima, gritando sem parar. Mantenha distância e contorne o lugar, sobretudo com crianças e cachorros.
Respondendo a outro quero-quero
Quando um grita, os vizinhos respondem, e o som atravessa o campo em ondas. Para quem escuta da janela, parece uma conversa animada no escuro.
Por que acontece na natureza
Comum em campos, gramados e beiras de lagoa, o quero-quero põe os ovos numa depressão rasa do terreno, sem proteção de galhos. Para defender ovos e filhotes, reage com gritos e mergulhos a qualquer aproximação, inclusive à noite. Os vizinhos repetem os gritos, e a passagem noturna de cães, gatos ou pessoas basta para começar o coro.
O que dizem as crenças populares
Sul da Escócia
Contava uma enciclopédia americana de 1903 que, no sul da Escócia, o abibe, parente europeu do quero-quero, era tido como ave de azar, porque se acreditava que seus gritos ajudaram a encontrar os covenanters perseguidos no reinado de Carlos II.
Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. II (1903), vol. II, p. 656. Ver a página
Para refletir
Em que lugar da sua vida você gostaria de passar sem ser anunciado?