Urubu em cima da casa
Ver um urubu em cima da casa assusta muita gente por causa da fama de agouro. Na maioria das vezes, ele só está descansando, se aquecendo ao sol ou de olho em alguma comida nas redondezas.
O que pode significar
Ninguém quer um urubu no telhado, e todo mundo precisa dele na cidade. Ele cuida do que sobra, do que apodrece, daquilo que ninguém quer ver, e ganhou por isso uma fama sombria. No folclore pernambucano antigo, o urubu pousado na casa era agouro, mas também se zombava dele: praga de urubu magro não mata cavalo gordo. O povo oscilava entre o medo e o deboche. O provérbio guarda uma ideia útil: muitos maus desejos pesam mais na imaginação de quem os recebe do que na vida real.
Depende de como você viu
Urubus em cima da casa
Telhados altos, perto de mercados, lixões, abatedouros ou matas, servem de poleiro. Se vários pousam no mesmo lugar por dias, vale conferir se há algum animal morto por perto. Muitas vezes, porém, eles só aproveitam o calor das telhas.
Girando lá no alto
Urubus usam correntes de ar quente que sobem do chão para ganhar altura sem bater as asas. Os círculos não significam necessariamente comida embaixo: é o jeito mais econômico de voar. Em dias quentes, dezenas podem girar juntos.
De asas abertas, parado ao sol
É comum ver urubus pousados com as asas bem abertas, imóveis. A postura ajuda a secar e aquecer as penas, sobretudo de manhã, depois da umidade da noite.
Por que acontece na natureza
O urubu-de-cabeça-preta é uma das aves grandes mais comuns nas cidades brasileiras. Come sobretudo carcaças e restos, ajudando a limpar o ambiente. Os urubus não têm o órgão de canto das outras aves e só emitem chiados e grunhidos. O urubu-de-cabeça-vermelha encontra comida pelo olfato, e o de cabeça preta muitas vezes o segue.
O que dizem as crenças populares
Pernambuco (Brasil)
Em Pernambuco, Pereira da Costa registrou que o urubu que pousava no telhado ou rodeava várias vezes a casa, em voos altos e circulares, era tido como prenúncio de morte.
Fonte: F. A. Pereira da Costa, Folk-lore pernambucano, em Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. LXX, parte II (1908), p. 45. Ver a página
Pernambuco (Brasil)
Entre os provérbios pernambucanos estavam: “Praga de urubu magro não mata cavalo gordo” e “Quando urubu está caipora, não há galho verde que o aguente”.
Fonte: F. A. Pereira da Costa, Folk-lore pernambucano, em Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. LXX, parte II (1908), p. 60. Ver a página
Índia
Na Índia, segundo um registro de 1903, a aproximação de um abutre era prenúncio de morte, e o abutre pousado na casa de um hindu era mau presságio.
Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. II (1903), vol. II, p. 714. Ver a página
Para refletir
Quanto peso você dá ao mau desejo de alguém que, no fundo, não tem poder nenhum sobre você?