Everyday Omens

Copo quebrado

Um copo quebrado pode ser só um tropeço, mas o que racha sozinho na pia em geral sofreu um choque térmico. Em Sevilha, no século XIX, quebrar vidro trazia desgostos para a casa.

O que pode significar

Quem já viu um copo estalar sozinho ao receber água fervendo sabe que nem todo vidro quebra por pancada. Muitas vezes o que parte é a mudança brusca: uma face esquenta e se dilata, a outra continua fria, e a tensão abre uma rachadura. A transição foi rápida demais para ele. Mudanças rápidas demais, de rotina, de casa ou de humor, às vezes quebram mais do que um esforço grande e constante: uma semana que pula da calmaria para o aperto cobra o seu preço. Curiosamente, o vidro temperado ganha resistência ao passar, na fábrica, por um resfriamento brusco e controlado.

Depende de como você viu

Rachou sozinho na pia

Água quente num copo frio, ou o contrário, é a causa mais comum. Lavar a louça em água morna e esperar o vidro esfriar antes de enxaguar evita boa parte das rachaduras. Alguns acidentes só pedem um pouco mais de tempo entre um passo e outro.

Estourou em mil pedacinhos

Copos de vidro temperado, quando quebram, se desfazem em fragmentos pequenos e menos cortantes, uma proteção de fábrica. Calce sapatos, use vassoura e pá, e passe uma fita adesiva larga para recolher os caquinhos que sobram.

Quebrou no meio de um brinde

Brindes animados às vezes acabam em vidro no chão, e a mesa ri em vez de se assustar. A mesma quebra pode ser festa ou susto, conforme o momento e quem está em volta. O que muda a sua reação a um imprevisto?

Por que acontece na natureza

O vidro é duro, mas frágil. Quando uma parte do copo esquenta ou esfria muito mais depressa que a outra, ela se dilata ou se contrai de forma desigual, e essa tensão abre rachaduras: é o choque térmico. Copos de vidro temperado são tratados para resistir mais e, quando quebram, se desfazem em pedaços pequenos, menos cortantes.

O que dizem as crenças populares

Sevilha (Espanha)

Em Sevilha, no fim do século XIX, dizia-se que quebrar um copo ou outro objeto de vidro era muito mau, porque anunciava muitos desgostos na casa; era preciso recolher todos os pedaços e jogá-los no poço.

Fonte: Alejandro Guichot y Sierra (dir. Antonio Machado y Álvarez), Supersticiones populares recogidas en Andalucía y comparadas con las portuguesas, en Biblioteca de las tradiciones populares españolas, t. I (1883), p. 237. Ver a página

Para refletir

Onde você anda passando de um extremo ao outro sem dar tempo de se ajustar?