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Fita do Bonfim que arrebenta

A fita do Bonfim que arrebenta cedeu ao uso: água, suor, sol e atrito desgastam o algodão em semanas ou meses. A fitinha nasceu de uma devoção católica baiana e hoje circula entre gente de muitas crenças.

O que pode significar

Uma tira de algodão de poucos centavos junta muita coisa ao mesmo tempo. Nasceu de uma devoção católica, a do Senhor do Bonfim. As cores, porém, são associadas com frequência a orixás do candomblé, como o verde-escuro a Oxóssi e o amarelo a Oxum. E circula entre turistas, devotos, gente de terreiro e quem não segue religião nenhuma, sem pedir documento de fé a ninguém. Arrebentada ou não, a fitinha deixa ver uma coisa rara: tradições diferentes cabendo juntas, sem que uma precise apagar a outra, num pedaço de pano que qualquer um pode amarrar.

Depende de como você viu

Comprada de um vendedor de rua

Em Salvador, vendedores oferecem maços de fitinhas a quem passa, e muitos visitantes deixam uma delas presa no local e levam outra no braço. Para muita gente, é tanto devoção quanto prova da viagem.

Uma fita de cor diferente

Cada cor é associada, em geral, a um orixá: verde-escuro a Oxóssi, azul-claro a Iemanjá, amarelo a Oxum, vermelho a Iansã. A escolha pode seguir a devoção ou simplesmente a roupa do dia.

Amarrada no tornozelo

A fitinha também vai no tornozelo, onde se desgasta com o calçado, a areia e a água. Ali o atrito é maior, e ela cede antes da que fica no braço.

Por que acontece na natureza

As fitinhas atuais são de algodão fino, que enfraquece com água, suor, sol e atrito até se romper. A tradição vem da antiga medida do Bonfim, criada em 1809: uma fita de seda com 47 centímetros, o comprimento do braço direito da imagem, usada no pescoço. A versão amarrada ao braço já era vendida nas ruas de Salvador nos anos 1960.

Para refletir

Que heranças diferentes convivem em você sem que uma precise apagar a outra?