Guarda-chuva aberto dentro de casa
Guarda-chuva aberto no meio da sala já fazia mal, de acordo com o folclore pernambucano anotado em 1908. A cena tem algo de curioso: uma defesa armada justamente onde não chove.
O que pode significar
Na rua, o guarda-chuva aberto faz todo sentido. Dentro de casa, ele ocupa a sala inteira, bate no lustre, enrosca nas cadeiras e não protege de nada, porque ali não chove. Algumas defesas também atravessam a porta ainda abertas, como a ironia pronta e o “está tudo bem” dito no automático. Na rua, elas servem; no sofá, só mantêm longe quem tenta chegar perto. O registro pernambucano de 1908 punha o guarda-chuva aberto em casa entre os gestos a evitar. Fechá-lo na entrada é um gesto simples, e vale para mais coisas do que o tecido molhado.
Depende de como você viu
Abrindo sem querer pelo botão automático
Modelos com mola abrem de repente ao toque de um botão, dentro do carro, do elevador ou da sala. O susto é real, porque as pontas das varetas ficam na altura do rosto de quem está perto. Apontar para o chão antes de apertar evita o acidente.
Criança brincando de cabana
Para uma criança, um guarda-chuva aberto no meio da sala vira barraca, teto de castelo, esconderijo. A peça que o adulto vê como agouro ou estorvo, ela vê como abrigo para brincar. Dá para combinar um canto seguro, longe das lâmpadas e do rosto das pessoas.
Uma sombrinha contra o sol
Os modelos mais antigos de que se tem notícia, na Mesopotâmia, protegiam do sol, não da chuva. Num país quente, abrir a sombrinha contra o sol forte é cena comum na rua. Dentro de casa, ela continua sendo um objeto de fora.
Por que acontece na natureza
O guarda-chuva é uma armação de varetas presa a uma haste, que sustenta uma cobertura de tecido ou plástico. Os mais antigos conhecidos, na Mesopotâmia, serviam para fazer sombra, e não para a chuva. Aberto num ambiente fechado, ele toma muito espaço, e as pontas das varetas ficam perto do rosto, dos lustres e dos objetos das prateleiras.
O que dizem as crenças populares
Pernambuco (Brasil)
Numa lista de coisas que faziam mal, registrada em Pernambuco por Pereira da Costa, aparecia o guarda-chuva aberto em casa, ao lado de deixar os chinelos virados e de jogar pão fora.
Fonte: F. A. Pereira da Costa, Folk-lore pernambucano, em Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. LXX, parte II (1908), p. 113. Ver a página
Para refletir
Que defesa você usa lá fora e continua mantendo aberta mesmo depois de chegar em casa?