Vela chorando
Vela chorando é a vela que escorre cera pelos lados, formando gotas e filetes. Acontece quando a chama derrete mais cera do que o pavio consegue puxar, por corrente de ar, pavio torto ou cera mole.
O que pode significar
Uma vela que escorre desenha coisas. Há quem veja rostos, mãos, lágrimas, figuras de santos, e há quem passe a noite tentando decifrar o desenho. O olho humano é treinado para achar formas onde não há intenção nenhuma, como nas nuvens e nas manchas da parede. Por isso a cera derretida funciona quase como um espelho: o que cada um enxerga ali diz mais sobre o próprio estado de espírito do que sobre a vela. Se a sua chorou, experimente registrar primeiro o que você viu, e só depois perguntar por que viu justamente aquilo.
Depende de como você viu
Escorrendo só de um lado
Quando a cera desce sempre pelo mesmo lado, há uma corrente de ar empurrando a chama ou o pavio está fora do centro. Mudar a vela de lugar e endireitar o pavio com um palito, com a vela apagada, em geral basta.
Formando uma bica até o pires
Às vezes a borda de cera se rompe e a poça derretida escapa de uma vez, numa bica que endurece no caminho. Um pires largo ou um castiçal com aparador evita cera na toalha e na madeira.
Num oratório de casa
Em oratórios e altares domésticos, a vela que chora muito atrai o olhar de quem reza. Se a preocupação é com segurança, o básico continua valendo: chama longe de cortinas, flores secas e imagens de papel.
Por que acontece na natureza
O pavio funciona como uma bomba: leva a cera líquida até a chama, onde ela vira vapor e queima. Quando a borda derrete mais depressa do que o pavio dá conta, a cera transborda e escorre, formando as “lágrimas”. Correntes de ar, pavio torto, velas finas e altas e ceras de ponto de fusão baixo aumentam o escorrimento.
O que dizem as crenças populares
Inglaterra
Grose, antiquário inglês citado por Brand, anotou que o sebo que se acumulava e subia junto ao pavio era chamado de mortalha e tido, na tradição inglesa, como agouro de morte na família.
Fonte: John Brand; Henry Ellis, Observations on the Popular Antiquities of Great Britain, vol. III (1849), vol. III, p. 181. Ver a página
Para refletir
Quando você olha para uma forma sem sentido, como uma mancha ou uma nuvem, o que você enxerga nela?