Relógio parado
Um relógio parado ainda marca a hora certa duas vezes por dia, como diz o ditado. A graça da frase é que ninguém confiaria nele para chegar a um compromisso.
O que pode significar
O ditado é conhecido: até um relógio parado acerta a hora duas vezes por dia. Acerta, mas por acaso. Ele ficou preso num momento e, de tempos em tempos, o mundo passa por aquele mesmo ponto e parece lhe dar razão. Certas opiniões param do mesmo modo. Alguém forma uma ideia sobre um bairro, passa por lá uma vez e nunca mais volta; anos depois, quando sai uma notícia que combina com ela, diz “eu não falei?”. O risco é confundir essas duas coincidências diárias com estar certo.
Depende de como você viu
Parou de madrugada, num horário estranho
Não há nada de especial no horário em que ele parou: foi quando a pilha deixou de dar conta. Ainda assim, muitas famílias guardam a hora em que o relógio da avó parou, porque ela coincide com alguma lembrança. É a família que dá sentido à coincidência.
Um relógio de corda que ninguém mais aciona
Relógios mecânicos param quando a corda acaba. Dar corda era tarefa semanal em muita casa, quase um ritual. Quando ninguém mais se encarrega disso, o relógio para junto com o hábito.
Na parede, enquanto o celular marca a hora certa
Ao lado de um relógio de parede parado, o do celular marca a hora exata, acertado pela rede. Por isso tanta gente deixa o da parede assim, como enfeite. Um objeto pode continuar na casa pela memória, mesmo depois de perder a função.
Por que acontece na natureza
Relógios de quartzo funcionam com um cristal que vibra numa frequência fixa quando recebe energia de uma pilha; quando a pilha enfraquece, o pequeno motor que move os ponteiros perde força e eles param. Relógios mecânicos param quando a corda chega ao fim ou quando sujeira e óleo velho travam as engrenagens.
O que dizem as crenças populares
New Hampshire (Estados Unidos)
Um registro de 1903 conta que, em New Hampshire, nos Estados Unidos, era tradição parar o relógio da casa no momento de uma morte.
Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. I (1903), vol. I, p. 187. Ver a página
Estados Unidos (zona rural)
Uma canção popular do interior dos Estados Unidos, citada em 1903, guardava a crença de que os relógios antigos sentem junto com os donos: o relógio parou para nunca mais andar quando o velho morreu.
Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. I (1903), vol. I, p. 427. Ver a página
Para refletir
Que opinião sua parou num certo horário e só de vez em quando, por acaso, ainda parece certa?