Everyday Omens

Eclipse lunar

No eclipse lunar, a lua não some: fica cor de cobre, iluminada pela luz do sol que atravessa a atmosfera da Terra. No Maranhão do século XIX, acordava-se a casa inteira e até as árvores do quintal.

O que pode significar

Em plena sombra da Terra, onde em tese não chegaria luz nenhuma, a lua continua visível, avermelhada. A luz que a pinta é a do sol, desviada pela atmosfera terrestre, como se ela recebesse ao mesmo tempo todos os amanheceres e entardeceres do planeta. Quem estivesse lá veria o sol se pondo atrás da Terra. Há períodos da vida em que a sombra parece total, e mesmo assim alguma claridade chega, torta, por desvios: um recado de alguém distante, uma ajuda de quem você mal conhecia, um hábito antigo que segura o dia. Não é a luz de sempre; é a que conseguiu contornar o obstáculo. No Maranhão, segundo um almanaque de 1870, durante o eclipse se gritava às laranjeiras que acordassem.

Depende de como você viu

A lua de sangue

O nome popular vem da cor profunda que a lua ganha em alguns eclipses totais. A tonalidade varia de um eclipse para outro, do cinza-escuro ao alaranjado, conforme o estado da atmosfera da Terra.

Visto a olho nu

Ao contrário do eclipse do sol, o da lua pode ser observado sem filtro nenhum, de qualquer lugar onde seja noite naquela hora. Basta céu limpo e um pouco de paciência, porque a fase total pode durar mais de uma hora.

Marcado para a madrugada

Muitos eclipses lunares acontecem no meio da noite. O despertador tocando às três da manhã por causa da lua é, para alguns, puro exagero; para outros, um dos melhores motivos para perder o sono.

Por que acontece na natureza

O eclipse lunar acontece na lua cheia, quando a Terra se coloca entre a Lua e o Sol e projeta a sua sombra sobre ela. Mesmo na fase total, a lua não desaparece: a luz do Sol é refratada e dispersa pela atmosfera terrestre, que desvia sobretudo os tons avermelhados para dentro da sombra. O fenômeno pode ser visto em qualquer lugar da Terra onde seja noite naquele momento.

O que dizem as crenças populares

Maranhão (registro de 1870)

No Maranhão, segundo um almanaque de 1870 citado por Leite de Vasconcellos, havia grande temor quando a lua ia fazer “cris”: acordavam-se os que dormiam, e todos saíam ao quintal gritando às árvores de fruto, como em “Acorda, laranjeira, olha a lua criz”.

Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), p. 23. Ver a página

Vila Cova de Carros (Portugal)

Em Vila Cova de Carros, em Portugal, o eclipse da lua era tido como doença dela: a lua ficava amarela por estar com icterícia, e quem a olhasse arriscava pegar o mal.

Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), p. 23. Ver a página

Indígenas do Brasil

Entre os indígenas do Brasil, segundo Pereira da Costa, acreditava-se que a lua era a morada das almas dos mortos, e o eclipse, sinal da indignação delas por algum crime; enquanto durava, as pessoas se escondiam.

Fonte: F. A. Pereira da Costa, Folk-lore pernambucano, em Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. LXX, parte II (1908), p. 12. Ver a página

Para refletir

Num período escuro recente, que luz chegou até você por um caminho que ninguém tinha planejado?