Everyday Omens

Lua cheia

A lua cheia puxa as marés mais altas do mês, junto com a lua nova. No Recife, antes das tabelas de marés, os práticos do porto repetiam: “Lua nova, lua cheia, preamar às quatro e meia”.

O que pode significar

Quem vive no litoral sabe que a lua cheia mexe com o mar: com ela e com a lua nova vêm as marés vivas, de maior amplitude. Os práticos do porto do Recife guardavam isso em verso e calculavam a preamar pela fase da lua, sem tabela nenhuma. Havia algo de sábio em conhecer o ritmo da água em vez de brigar com ela. A vida doméstica também tem a sua tábua de marés, e a última semana do mês, quando o dinheiro aperta, chega com a pontualidade dos versos dos práticos.

Depende de como você viu

Clareando a trilha no campo

Longe dos postes, a lua cheia basta para enxergar a trilha, as cercas e as pedras do caminho. Em Vouzela, segundo Leite de Vasconcellos, ela era saudada como companheira de quem precisava andar depois do anoitecer.

Clareando o quarto de madrugada

Uma lua cheia bem na janela deixa o quarto quase claro, e há quem acorde com a luz no rosto. Uma cortina mais grossa resolve o que nenhuma crença resolve.

Na praia, com a maré enchendo

Nos dias de lua cheia, a água sobe mais e desce mais. Quem pesca, quem navega e quem gosta de caminhar na faixa de areia aprende a conferir a tábua de marés antes de sair.

Por que acontece na natureza

A lua cheia acontece quando a Lua está do lado oposto ao Sol em relação à Terra, com o disco inteiro iluminado. Nas luas cheia e nova, as atrações da Lua e do Sol se alinham e produzem as marés vivas, de maior amplitude; em alguns portos, o pico chega com um ou dois dias de atraso.

O que dizem as crenças populares

Recife (Brasil)

Os práticos do porto do Recife, antes das tabelas de marés, calculavam a preamar pelas fases da lua e repetiam versos como “Lua nova, lua cheia, preamar às quatro e meia”.

Fonte: F. A. Pereira da Costa, Folk-lore pernambucano, em Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. LXX, parte II (1908), p. 16. Ver a página

Minho (Portugal)

Os minhotos diziam que, se o luar nos dava na cama, ficávamos com a boca torta.

Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), p. 19. Ver a página

Pernambuco (Brasil)

Em Pernambuco dizia-se que a lua come o rosto das pessoas que dormem recebendo a sua luz.

Fonte: F. A. Pereira da Costa, Folk-lore pernambucano, em Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. LXX, parte II (1908), p. 15. Ver a página

Para refletir

Em que época do mês ou do ano a sua maré sobe, e o que daria para arrumar antes de ela chegar?