Everyday Omens

Achar um anel

Achar um anel é segurar um pedaço da história de alguém. Em cantigas antigas da Beira Alta e do Douro, falava-se dos anéis dados por namorados, como “o anel que tu me deste / era de vidro, quebrou”, verso parente da ciranda brasileira.

O que pode significar

Um anel perdido raramente é só metal. Pode ser a aliança de um casamento de trinta anos, o presente de formatura, a herança de uma avó. Quem o encontra segura uma história inteira sem conhecer nenhum dos personagens. As cantigas que Leite de Vasconcellos recolheu entre a Beira Alta e o Douro já sabiam disso: nelas, o anel de vidro que quebrava media o tamanho do amor de quem o dera, e o anel de contas miúdas era o de amor que nunca se aparta. Os versos parecem primos da ciranda que muita criança brasileira ainda canta. O sentido de um anel muda com quem o usa, e quem acha só enxerga a superfície. Devolvê-lo, quando dá, é devolver também um pedaço de biografia.

Depende de como você viu

Na areia da praia

Anéis escapam com facilidade na água fria e com protetor solar, que deixam os dedos mais finos e escorregadios. Se você achou um na areia, procure o posto de salva-vidas ou o quiosque mais próximo: é comum o dono voltar ao mesmo ponto para procurar.

Uma aliança com nome gravado

Muitas alianças têm nomes ou datas por dentro, e essa pequena inscrição é a melhor pista. Uma postagem num grupo do bairro ou a entrega numa delegacia podem fazer a aliança voltar a quem pertence.

Um anel simples, de bijuteria

Mesmo sem valor de mercado, um anel barato pode ser o mais importante de alguém. A cantiga do anel de vidro mostra que o valor de um presente nem sempre está no material. Qual é o objeto mais simples e mais precioso que você tem?

Por que acontece na natureza

Anéis escorregam dos dedos sobretudo no frio, na água e com mãos ensaboadas ou cobertas de creme, porque os dedos ficam mais finos e a pele, mais lisa. Também se perdem quando são tirados por um instante, para lavar as mãos ou passar protetor, e esquecidos na pia ou na areia. Por serem pequenos, quase sempre ficam perto de onde caíram.

O que dizem as crenças populares

Beira Alta e Douro (Portugal)

Na Beira Alta e no Douro, cantigas de namorados falavam de anéis: “o anel que tu me deste / era de vidro, quebrou”, e o vidro, que logo quebra, era sinal de um amor que logo se aparta; já o anel de contas miúdas era o de amor que nunca se aparta.

Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), p. 215. Ver a página

Inglaterra (Dorset)

Em East Lulworth, no condado de Dorset, contava-se que uma mulher perdeu o anel e o reencontrou dois anos depois, dentro de uma batata que descascava, colhida num campo vizinho.

Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. I (1903), vol. I, p. 486. Ver a página

Para refletir

Que objeto seu guarda uma história que só você sabe contar?