Círculo de cogumelos
Um círculo de cogumelos no gramado é obra de um único fungo que cresce debaixo da terra, do centro para fora. Na Inglaterra, esses anéis eram tidos como a marca deixada pelas fadas ao dançar em roda.
O que pode significar
O círculo aparece numa manhã depois da chuva e parece ter brotado de repente. Não brotou. Os cogumelos são só a borda visível de um fungo que vive debaixo da grama e espalha seus fios do centro para fora, às vezes há muitos anos. A roda marca até onde ele chegou. Os ingleses de antigamente olhavam para o mesmo desenho e viam outra história: as fadas dançavam ali em roda nas noites de luar, e a grama guardava a marca dos seus pezinhos. Entre a lenda e a biologia, o círculo ensina algo parecido: o que aparece de uma vez cresceu, muitas vezes, escondido por muito tempo. Vale pensar em que coisa sua, uma habilidade nova, um vínculo, uma ideia, está espalhando fios por baixo antes de aparecer.
Depende de como você viu
Depois de dias de chuva no gramado
A umidade faz o fungo, que já estava lá, soltar os cogumelos quase todos juntos, na borda do anel. No Brasil, um dos que formam anéis em gramados é o Chlorophyllum molybdites, grande e branco, de lâminas que esverdeiam com a idade; ele é tóxico e costuma ser confundido com espécies comestíveis. Nenhum cogumelo de jardim deve ser comido sem identificação segura.
Só um anel de grama mais verde
Às vezes não há cogumelo nenhum, só uma faixa de grama mais escura e viçosa em roda, ou um anel de grama seca. O fungo, ao decompor a matéria orgânica, libera nutrientes que adubam a borda. Os ingleses chamavam esses anéis de círculos das fadas, como registrou o comentador de Shakespeare Dr. Grey.
Pisando dentro da roda
Uma crença inglesa registrada em 1903 prometia que quem pisasse num anel de fadas, com o pé de um companheiro por cima do seu, passaria a ver as fadas e os elfos. Na Suécia, círculos marcados na grama pela manhã avisavam que elas tinham passado por ali.
Por que acontece na natureza
O círculo nasce de um fungo que vive enterrado na forma de fios finíssimos, o micélio. Ele cresce do centro para fora, gastando os nutrientes por onde passa, e solta cogumelos na borda ativa quando há umidade. Com os anos, o anel aumenta de tamanho; já em 1807, o cientista inglês Wollaston atribuía os anéis ao crescimento de cogumelos.
O que dizem as crenças populares
Inglaterra
Na Inglaterra, segundo Daniels e Stevans, acreditava-se que quem pusesse o pé num anel de fadas, com o pé de um companheiro por cima do seu, passaria a enxergar o mundo das fadas e dos pequenos elfos.
Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. III (1903), vol. III, p. 1406 (file v 3). Ver a página
Inglaterra
O Athenian Oracle, publicação inglesa citada por Brand, registrava a crença popular de que quem morasse numa casa construída sobre terreno com anéis de fadas prosperaria de modo maravilhoso.
Fonte: John Brand; Henry Ellis, Observations on the Popular Antiquities of Great Britain, vol. II (1849), vol. II, p. 481. Ver a página
Ilha de Man
Na Ilha de Man, Waldron, citado por Brand, dizia não poder negar que vira muitas vezes círculos na grama e marcas de pezinhos na neve, e que certa vez achou ter ouvido um assobio junto ao ouvido sem ninguém ao lado.
Fonte: John Brand; Henry Ellis, Observations on the Popular Antiquities of Great Britain, vol. II (1849), vol. II, p. 481. Ver a página
Suécia
Quando os camponeses suecos viam círculos marcados na grama pela manhã, segundo Daniels e Stevans, era sinal de que as fadas tinham passado por ali.
Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. III (1903), vol. III, p. 1411 (file v 3). Ver a página
Para refletir
Que coisa na sua vida parece ter surgido de repente, mas vinha crescendo havia muito tempo sem ninguém ver?