Cobra no quintal
Uma cobra no quintal em geral está atrás de ratos, sapos ou de um abrigo fresco, e prefere evitar você. Em Portugal era muito espalhada a crença de que cobras adoram leite, ideia que a biologia não confirma.
O que pode significar
Poucos encontros fazem o corpo reagir tão rápido quanto uma cobra no quintal. E é justamente nessa pressa que as velhas certezas aparecem. Em Portugal, de norte a sul, acreditava-se que as cobras gostavam de leite, que se escondiam nos estábulos das vacas e até nas camas das mulheres que amamentavam; a biologia não sustenta nada disso. Diante de um perigo real, uma crença errada pode atrapalhar tanto quanto a falta de cuidado. Fora do quintal acontece algo parecido: há medos herdados que ninguém confere e perigos reais de que ninguém fala. Muitas vezes o que protege é menos dramático: distância, sangue-frio, um telefonema para quem sabe lidar.
Depende de como você viu
Enrolada num canto, tomando sol
Uma cobra imóvel ao sol está regulando a temperatura do corpo. Afaste crianças e animais, não tente pegar nem matar e chame o Corpo de Bombeiros ou o órgão ambiental da cidade. Manter distância é o gesto que mais protege os dois lados.
Saindo de um monte de entulho ou de lenha
Entulho, lenha empilhada e mato alto viram abrigo para ratos, e onde há ratos aparecem cobras. Limpar esses cantos e manter a grama baixa é a prevenção mais eficaz.
Atravessando o caminho de terra
Muitas cobras só estão de passagem, cruzando de um mato para outro. Parar e esperar que ela termine a travessia em geral basta. Nem todo encontro exige providência; alguns só pedem paciência e alguns passos para trás.
Por que acontece na natureza
Cobras caçam ratos, sapos, lagartos e outros bichos, e procuram quintais onde há comida e abrigo. Não bebem leite: tomam água e não conseguem mamar. No Brasil existem espécies peçonhentas, como jararacas e cascavéis, e muitas inofensivas, mas reconhecer cada uma de longe é difícil, por isso o mais seguro é não se aproximar.
O que dizem as crenças populares
Portugal
Em Portugal, de norte a sul, era muito espalhada a crença de que as cobras gostam de leite: dizia-se que se escondiam nos estábulos das vacas e nas camas das mulheres que amamentavam.
Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), p. 143. Ver a página
Pernambuco (Brasil)
Leite de Vasconcellos anotou que em Pernambuco, quando um caminho estava cheio de cobras, punha-se no chão uma tocha acesa, porque elas seriam inimigas da luz e não descansariam enquanto não a apagassem com a cauda.
Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), p. 143. Ver a página
Beira e Douro (Portugal)
Na Beira e no Douro dizia-se que as cobras eram inimigas dos homens e amigas das mulheres.
Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), pp. 142-143. Ver a página
Para refletir
Que certeza sobre um risco da sua vida você nunca chegou a conferir?