Everyday Omens

Ouvir sino do nada

Ouvir sino do nada acontece sobretudo em noites frias e paradas, quando o som de igrejas e carrilhões distantes viaja mais longe do que o normal. Em Portugal, o vento carregado de sinos era lido como aviso.

O que pode significar

Uma igreja a três ou quatro quilômetros pode passar meses sem ser ouvida e, numa madrugada fria e parada, aparecer inteira na sua sala. O sino não tocou mais forte: foi o ar calmo que levou o som mais longe. As conversas importantes também viajam assim. Raramente chegam quando alguém marca hora e pede que todos se sentem para falar. Aparecem no carro, com os dois olhando para a estrada, na louça depois do jantar, na hora de apagar a luz, quando ninguém está cobrando nada. Quem convive com crianças e adolescentes conhece bem essas horas. Um sino ouvido do nada convida a reparar nos momentos calmos em que quem mora com você se faz ouvir, e a estar por perto quando eles chegam.

Depende de como você viu

De madrugada, com o tempo frio e parado

Em noites calmas e frias, o ar junto ao chão fica mais frio que o de cima e curva o som de volta para baixo. Sinos, trens e cachorros de outros bairros parecem estar logo ali. Na manhã seguinte, com o sol, tudo volta a soar distante.

Um sininho de vento da casa ao lado

Mensageiros dos ventos, enfeites de porta e coleiras de gato com guizo soam em horas inesperadas. Antes de imaginar outra explicação, olhe a varanda do vizinho numa noite de vento.

Parecido com um toque de celular

Muitos alertas de celular, relógios e campainhas eletrônicas imitam sinos. Um aparelho esquecido na bolsa ou na gaveta pode tocar sozinho de madrugada e deixar a casa inteira procurando de onde veio.

Por que acontece na natureza

Em noites sem vento, o chão esfria e deixa o ar de baixo mais frio que o de cima, a chamada inversão térmica. Nessa situação, o som que sobe é curvado de volta para o chão e chega muito mais longe do que de dia. O vento a favor faz o mesmo, e por isso sinos distantes são ouvidos só em certas noites.

O que dizem as crenças populares

Famalicão (Portugal)

Em Famalicão, segundo Leite de Vasconcellos, quando o vento trazia sons de sino muito piedosos, era sinal de morte próxima.

Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), p. 48. Ver a página

Portugal

Em várias partes de Portugal, conforme o mesmo autor, ouvir os sinos quando o vento soprava de certas bandas anunciava mudança no tempo.

Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), p. 48. Ver a página

Resende (Portugal)

Em Resende, dizia-se que, quando se ouvia o sino de Ovadas, vinha chuva.

Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), p. 319. Ver a página

Para refletir

Em que momentos calmos do dia as pessoas próximas contam a você o que importa?