Everyday Omens

Prato quebrado

Prato quebrado, na maioria das casas, vai direto para o lixo, embrulhado em jornal. No Japão, a técnica do kintsugi faz o contrário: une os cacos com laca e pó de ouro, e a rachadura vira a parte mais bonita da peça.

O que pode significar

Em quase toda cozinha existe um prato lascado que ninguém tem coragem de aposentar, porque era do jogo da avó ou porque ainda serve. Quando um prato se parte de vez, a dúvida volta: colar ou jogar fora? A arte japonesa do kintsugi responde de um jeito inesperado. Os cacos são unidos com laca misturada a pó de ouro, e a linha da quebra fica visível, brilhando. A peça não volta a ser como antes; passa a ser outra, com a história do acidente incluída. Coisas e relações também se quebram. Algumas vão para o lixo, outras merecem conserto, e certas ficam melhores justamente porque ninguém tentou esconder onde se partiram.

Depende de como você viu

Lascado na borda

Lascas na borda aparecem quando pratos batem uns nos outros na pia ou no escorredor. Uma borda lascada pode cortar a boca ou a mão, e há quem dê a esse prato outra função, como apoio de vaso ou porta-chaves.

Escorregou na hora de lavar a louça

Prato ensaboado escorrega fácil. Um tapete de borracha no fundo da pia, ou um pano dobrado, amortece as quedas mais comuns.

Quebrou no meio de uma festa

Um prato quebrado numa festa vira piada e recordação. O mesmo acidente, numa noite tensa, pode parecer recado. O momento decide quase todo o peso que se dá a um caco.

Por que acontece na natureza

Pratos de cerâmica e porcelana são duros, mas frágeis: aguentam o uso diário e se partem com uma pancada na borda ou uma queda. Lascas e trincas pequenas enfraquecem a peça, que passa a quebrar com mais facilidade. O kintsugi, técnica japonesa de reparo, une os pedaços com laca misturada a pó de ouro, prata ou platina.

O que dizem as crenças populares

China

Na China, segundo um registro de 1903, se algo de mau agouro acontecesse enquanto se negociava um casamento, como uma tigela quebrada, o acerto era desfeito ou adiado.

Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. I (1903), vol. I, p. 96. Ver a página

Bélgica

Na Bélgica dizia-se que a empregada contratada numa sexta-feira ia quebrar a louça.

Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. I (1903), vol. I, p. 491. Ver a página

Para refletir

O que já se quebrou na sua vida e ficou mais seu depois do conserto, com a emenda à mostra?