Ouvido zumbindo
Ouvido zumbindo, para os portugueses do século XIX, tinha explicação social: quando se falava mal de alguém ausente, dizia-se que lhe ficavam as orelhas a chiar. Muita gente, porém, só repara no chiado quando a casa fica em silêncio.
Esta página descreve apenas crenças populares. Se a sensação se repetir ou preocupar, procure um médico.
O que pode significar
Durante o dia, o barulho da rua, da televisão e das conversas cobre quase tudo. É à noite, com a casa quieta, que muitas pessoas percebem um chiado fino que parecia não existir. Ele só ganhou espaço quando o resto se calou. Uma frase que ficou atravessada desde a tarde espera o mesmo silêncio para se fazer ouvir, e por isso a hora de deitar costuma ser a mais barulhenta do dia. Teófilo Braga registrou entre os portugueses que, quando se falava mal de um ausente, lhe ficavam as orelhas a chiar: para eles, a explicação vinha de fora.
Depende de como você viu
Depois de um show ou de uma festa barulhenta
É comum deixar um lugar de som alto com um chiado nos ouvidos que acompanha a volta para casa. A noite de música ainda ecoa no caminho, enquanto a rua já está quieta.
Um zumbido que vem de fora
Às vezes o zumbido é de verdade e passa voando: um besouro ou um pernilongo rente à orelha, no escuro do quarto. A diferença aparece logo, porque o do inseto se aproxima e se afasta, e o outro fica parado no mesmo lugar.
Um apito curto, de um lado só
Um apito rápido num ouvido só, que some em segundos, é algo que muitas pessoas já sentiram ao menos uma vez. A expressão portuguesa registrada por Braga, “ficaram-lhe as orelhas a chiar”, era dita justamente de quem estava sendo criticado longe dali.
Por que acontece na natureza
Zumbido é a percepção de um som, como chiado, apito ou ruído, sem uma fonte do lado de fora que outras pessoas possam ouvir. É algo comum, e é mais fácil notá-lo em ambientes muito silenciosos ou depois de passar um tempo em lugares barulhentos.
O que dizem as crenças populares
Portugal
Teófilo Braga registrou em Portugal que, quando se falava mal de alguém ausente, dizia-se que lhe ficavam as orelhas a chiar. Para que a maledicência não continuasse, a pessoa mordia a camisa três vezes ou fazia cruzes com saliva na orelha.
Fonte: Teófilo Braga, O povo portuguez nos seus costumes, crenças e tradições, vol. II (1885), p. 94. Ver a página
Inglaterra
Na Inglaterra, o doutor Nathaniel Home escreveu em 1650 que, quando as orelhas zuniam, o povo dizia ter inimigos por aí falando ou prestes a falar mal da pessoa.
Fonte: John Brand; Henry Ellis, Observations on the Popular Antiquities of Great Britain, vol. III (1849), vol. III, p. 172. Ver a página
Pernambuco (Brasil)
Em Pernambuco era de mau agouro um besouro passar zumbindo junto aos ouvidos, e as mulheres logo respondiam: “Vai-te para quem te mandou; dize que não me achaste”.
Fonte: F. A. Pereira da Costa, Folk-lore pernambucano, em Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. LXX, parte II (1908), p. 45. Ver a página
Para refletir
Quando a casa fica em silêncio, qual pensamento chega antes de todos os outros?