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Quartinha que quebra ou seca

A quartinha de barro seca porque o barro é poroso: a água atravessa as paredes e evapora. Ela também trinca com calor, frio ou quedas. No candomblé e na umbanda, onde guarda água nos assentamentos, a quebra tem leituras próprias.

O que pode significar

A quartinha de barro não segura a água para sempre, e nem foi feita para isso. O barro é poroso: a água atravessa as paredes devagar, evapora na superfície externa e mantém fresco o que ficou dentro. Por isso a quartinha esvazia sozinha com o tempo, mais depressa em dias quentes, e alguém precisa enchê-la outra vez. Quem cuida de uma sabe que reabastecer faz parte do objeto, e não é defeito. Para quem segue o candomblé ou a umbanda, a quartinha que quebra ou esvazia tem leituras próprias, que cada casa conhece e ensina. Fora dos terreiros, ela também lembra que muita coisa importante funciona perdendo um pouco todo dia, como a amizade que precisa de notícia e a casa que precisa de arrumação, e que cuidar, muitas vezes, é repor.

Depende de como você viu

Rachou sem cair

Barro sofre com mudanças bruscas de temperatura, como água gelada num dia quente ou sol direto na peça, e pode trincar sem queda nenhuma. Peças com defeito de queima também racham com mais facilidade.

A água acabando depressa

Em dias de calor, ar seco ou vento, a evaporação pelos poros aumenta muito. Uma quartinha nova, ainda sem uso, também absorve mais água nas primeiras semanas.

Quebrou na hora de limpar ou trocar a água

A boca estreita e a tampa pequena fazem da quartinha uma peça fácil de escorregar das mãos molhadas. Em terreiros, cada casa tem o seu modo de lidar com a peça quebrada, e quem frequenta pergunta a quem cuida do lugar.

Por que acontece na natureza

O barro cozido em baixa temperatura é poroso: a água passa lentamente pelas paredes e evapora do lado de fora, o que resfria o conteúdo e, com o tempo, esvazia o recipiente. Peças de barro também trincam com choques de temperatura e com quedas, sobretudo na boca e na base.

O que dizem as crenças populares

Estremoz (Portugal) e Espanha

Teófilo Braga conta que, no século XVII, damas espanholas comiam o barro poroso das bilhas de Estremoz, a que atribuíam virtudes contra o veneno e o mau-olhado.

Fonte: Teófilo Braga, O povo portuguez nos seus costumes, crenças e tradições, vol. II (1885), p. 91. Ver a página

Para refletir

Que coisa importante na sua vida precisa ser reposta sempre, sem que isso seja defeito?