Queimar o arroz
Queimar o arroz costuma ser falta de água ou fogo alto demais no fim do cozimento. Em outras cozinhas, a mesma crosta dourada é feita de propósito e disputada à mesa.
O que pode significar
Para quem cozinha, arroz queimado parece um pequeno fracasso doméstico, com um cheiro que se espalha pela casa e denuncia o deslize. Basta olhar a mesa dos outros para a coisa mudar de figura. No Irã, o tahdig, a camada crocante que se forma embaixo do arroz, é feito de propósito e servido como a melhor parte. Na paella valenciana, o socarrat é procurado com a colher. Na Coreia, a crosta vira nurungji. E no Brasil sempre aparece alguém pedindo a raspa. O mesmo resultado é desastre numa cozinha e prêmio em outra. Um jeito seu que em casa passa por defeito pode ser, para outra pessoa, justamente o que ela mais aprecia em você.
Depende de como você viu
Cheiro de queimado pela casa
Se só o fundo pegou, não mexa: tire o arroz de cima com cuidado e passe para outra vasilha, deixando a camada escura na panela. O gosto de queimado fica concentrado embaixo e se espalha quando se revira tudo.
Queimou justo com visita em casa
É o tipo de acidente que vira assunto à mesa, e logo alguém conta um arroz pior que já fez. Um arroz refeito às pressas ou uma travessa de farofa a mais resolve; pedir desculpas três vezes só prolonga o constrangimento.
A panela que sempre queima
Panelas de fundo fino esquentam demais num ponto só, bem em cima da chama. Fundo grosso, fogo baixo no fim do cozimento e a tampa fechada nos últimos minutos ajudam a evitar que o arroz grude.
Por que acontece na natureza
O arroz cozinha na água; quando ela acaba, a base da panela passa depressa dos 100 °C. O amido e os açúcares do grão então douram, formando aromas tostados, e logo depois carbonizam, ficando pretos e amargos. Fogo alto, pouca água e panela de fundo fino aceleram esse ponto.
O que dizem as crenças populares
China
Na China, segundo Daniels e Stevans, os jovens que comessem arroz tostado acabariam se casando com pessoas de rosto marcado pela varíola.
Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. I (1903), vol. I, p. 450 (file v 1). Ver a página
Japão
No Japão, conforme a mesma obra, era bom presságio quando o arroz, ao ferver, fazia um zumbido baixinho no começo e cada vez mais alto depois.
Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. I (1903), vol. I, p. 449 (file v 1). Ver a página
Para refletir
Que jeito seu é chamado de defeito em casa e elogiado em outro lugar?