Coceira na palma da mão
Coceira na palma da mão era dinheiro a receber, dizia-se em Pernambuco no começo do século XX. A promessa é boa; o perigo é começar a gastar o que ainda não chegou.
Esta página descreve apenas crenças populares. Se a sensação se repetir ou preocupar, procure um médico.
O que pode significar
Poucas coceiras rendem tanta brincadeira quanto a da palma da mão. Em Pernambuco, já em 1908, o coçar das mãos era dinheiro a receber; na Inglaterra, um catálogo de superstições do século XVII dizia o mesmo da palma direita. A crença é simpática e serve de pequeno teste. O que a sua cabeça faz com um dinheiro que ainda não existe? Há quem já divida em parcelas, quem prometa presentes, quem refaça as contas do mês contando com ele. O ditado avisa que não se conta com o ovo dentro da galinha. Planejar com o que já chegou dá menos emoção e muito mais sossego. Se a coceira passar sem dinheiro nenhum, você só gastou um minuto de imaginação.
Depende de como você viu
Na mão direita
Na lista inglesa de Melton, publicada no século XVII, a palma direita coçando era aviso seguro de dinheiro a receber. Se a leitura agrada, um bom exercício é anotar o que você faria com esse valor antes de gastá-lo em pensamento.
Na mão esquerda
Segundo a enciclopédia de Daniels, de 1903, a maioria das pessoas entendia a palma esquerda coçando como dinheiro em movimento, a receber ou a pagar. Dinheiro que sai também é movimento, e nem sempre é prejuízo: uma conta quitada alivia o mês.
Enquanto você conta o troco
Notas e moedas passam por muitas mãos, e a pele da palma está sempre em contato com elas. A crença e o caixa se encontram no mesmo gesto, o de quem segura dinheiro e pensa no próximo.
Por que acontece na natureza
Coceira é uma sensação comum da pele, e as palmas das mãos estão o tempo todo em contato com objetos, água, sabão e mudanças de temperatura. Pele ressecada, suor e o atrito com materiais diferentes estão entre os motivos cotidianos desse incômodo.
O que dizem as crenças populares
Pernambuco (Brasil)
Em Pernambuco, segundo o registro de Pereira da Costa, do coçar das mãos se dizia que era dinheiro a receber.
Fonte: F. A. Pereira da Costa, Folk-lore pernambucano, em Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. LXX, parte II (1908), p. 115. Ver a página
Inglaterra
No Astrologaster de Melton, catálogo de superstições inglesas citado por Brand, a palma da mão direita coçando era indício seguro de que se ia receber dinheiro.
Fonte: John Brand; Henry Ellis, Observations on the Popular Antiquities of Great Britain, vol. III (1849), vol. III, p. 177. Ver a página
Hungria
Entre os húngaros, segundo um registro de 1903, quando a palma coçava era preciso esfregá-la no cabelo: quantos fios fossem tocados de uma vez, tantas moedas viriam.
Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. I (1903), vol. I, p. 299. Ver a página
China
Os chineses, segundo a mesma enciclopédia, tomavam a coceira na palma da mão por mau presságio.
Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. I (1903), vol. I, p. 299. Ver a página
Centro do Maine (Estados Unidos)
Uma simpatia do centro do Maine, anotada em 1903, mandava cuspir na mão esquerda quando ela coçava e esfregá-la na lateral do corpo ou no quadril, para atrair dinheiro.
Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. I (1903), vol. I, p. 299. Ver a página
Para refletir
Que dinheiro, plano ou elogio você já gastou em pensamento antes de ele chegar de verdade?