Umbigo coçando
Umbigo coçando tem motivo prosaico na maior parte dos casos, como suor ou fiapos de roupa. O umbigo em si, porém, sempre rendeu crenças: em terras pernambucanas e portuguesas, o coto que cai do recém-nascido pedia cuidados especiais.
Esta página descreve apenas crenças populares. Se a sensação se repetir ou preocupar, procure um médico.
O que pode significar
Há uma expressão brasileira para quem só pensa em si: viver olhando para o próprio umbigo. Uma coceira ali faz justamente isso, ao pé da letra. Por um instante, a atenção desce até o meio da barriga, um ponto que passa o dia esquecido. A cena pode render uma pergunta honesta e sem acusação. Tem gente que anda olhando demais para dentro e deixou de ouvir os outros. E tem gente que passou meses cuidando de todos e se esqueceu de olhar para si, nem que fosse por um minuto. O umbigo, afinal, é a cicatriz do primeiro laço que cada pessoa teve com outra, e é a prova de que ninguém começou sozinho.
Depende de como você viu
Num dia de calor
O umbigo é uma pequena dobra onde suor, fiapos de roupa e restos de sabonete se acumulam com facilidade. Em dias de calor ou depois de exercício, a coceira tende a aparecer mais.
Quando a roupa aperta na cintura
Cós de calça, elástico de bermuda e cinto passam bem na altura do umbigo e roçam a pele o dia inteiro. Nesses dias, a coceira coincide com a vontade de afrouxar a roupa.
Umbigo para dentro ou para fora
Umbigos para dentro formam uma pequena cavidade, onde a sujeira fica mais protegida; os que ficam para fora secam mais depressa. O formato depende de como a pele cicatrizou depois que o coto caiu, nos primeiros dias de vida.
Por que acontece na natureza
O umbigo é a cicatriz deixada pelo cordão umbilical. A dobra de pele acumula com facilidade suor, fiapos e resíduos de sabonete, e o roçar da roupa na região pode deixar a pele sensível.
O que dizem as crenças populares
Pernambuco (Brasil)
Em Pernambuco, segundo Pereira da Costa, quando caía o umbigo do recém-nascido convinha jogá-lo ao mar, para que a criança não morresse afogada e escapasse de naufrágios. Até lá, era guardado com cuidado para que os ratos não o roessem.
Fonte: F. A. Pereira da Costa, Folk-lore pernambucano, em Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. LXX, parte II (1908), p. 110. Ver a página
Portugal
Teófilo Braga registrou em Portugal que era preciso impedir que os ratos comessem o umbigo da criança, porque ela ficaria ladra, e que o umbigo devia ser queimado.
Fonte: Teófilo Braga, O povo portuguez nos seus costumes, crenças e tradições, vol. II (1885), p. 103. Ver a página
Oeste do Japão
No oeste do Japão, conforme uma obra de 1903 que cita Lafcadio Hearn, o cordão umbilical era embrulhado com cuidado, com os nomes dos pais e a data do nascimento; a filha o levava consigo ao se casar.
Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. I (1903), vol. I, p. 6 (file v 1). Ver a página
Para refletir
Nos últimos tempos, você tem olhado mais para si ou mais para os outros?