Abrir a porta na despedida da visita
Pelo Brasil afora, é comum que a visita não destranque a porta para ir embora: quem abre é o dono. Diz-se que, se a visita abrir, a amizade acaba ou ela não volta mais.
O que pode significar
Em boa parte do país, a visita não destranca a porta alheia, nem para sair. Quem abre é o dono. Um relato recolhido em 2019 conta que crianças ouviam dos pais que destrancar a porta de um amigo acabaria com a amizade. Por trás da ameaça há uma lição sobre respeito: certas portas só podem ser abertas por quem mora atrás delas. Longe da soleira, a regra continua valendo. Dar um conselho que ninguém pediu, ler a mensagem aberta no celular alheio, espalhar uma novidade que era do outro contar: são jeitos de girar a maçaneta da casa de alguém. Esperar que a pessoa abra a própria porta pode parecer lentidão; quase sempre é consideração.
Depende de como você viu
Quando o dono está ocupado
Se o anfitrião está no fogão ou com as mãos cheias, manda o costume que a visita espere um instante ou peça licença antes de mexer no trinco. Um “pode deixar que eu abro” do dono resolve a situação.
Em prédio, com interfone
Em prédios, o gesto se desdobra: o morador libera o portão pelo interfone, desce para receber ou acompanha a visita até o elevador. É a versão de hoje do dono que abre a porta.
Com as visitas mais íntimas
Com os muito próximos, a regra afrouxa: o sobrinho que entra com a própria chave, a vizinha que já sabe destrancar. A permissão dada pelo dono é o que muda o sentido do gesto.
Por que acontece na natureza
Costumes de soleira existem em muitas culturas: a porta separa o espaço da família do espaço de fora, e quem controla a passagem é, em regra, quem mora ali. Regras sobre quem abre, quem entra primeiro e quem acompanha a saída organizam a hospitalidade e evitam constrangimentos.
O que dizem as crenças populares
Brasil
Num relato recolhido em 2019 pelo Arquivo Digital de Folclore da USC, uma jovem brasileira contou que no Brasil dá azar destrancar ou abrir a porta da casa de outra pessoa: a amizade acaba e você não é mais convidado. Quem abre deve ser o dono.
Fonte: John Broderick (USC Digital Folklore Archive), Brazilian Door Superstition (2019), folklore.usc.edu. Ver a página
Grécia
Na Grécia, conforme Daniels e Stevans, para que uma visita indesejada fosse embora, punha-se uma pitada de sal nas galochas que ela deixava junto à porta.
Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. I (1903), vol. I, p. 513 (file v 1). Ver a página
Para refletir
Que porta na vida de alguém você abre antes que a própria pessoa abra?