Borboleta branca
Ver uma borboleta branca era, no Porto antigo, promessa de boa nova. Na natureza, elas revelam outra curiosidade: muitas se reúnem em areia molhada e poças de lama, atrás dos sais que o néctar não oferece.
O que pode significar
A imagem que se espera de uma borboleta branca é a de uma flor, mas quem anda por estrada de terra e beira de rio no verão conhece outra cena: dezenas delas paradas na lama, abrindo e fechando as asas, bebendo a água salobra do chão. O néctar dá energia, mas pouco sal, e é no barro que muitas encontram o que falta. Há algo de humilde e sábio nisso. Às vezes o que nos sustenta não vem do lugar bonito, e sim de uma conversa simples, de um trabalho miúdo, de um canto da cidade que ninguém fotografa. No Porto, segundo Teófilo Braga, a borboleta branca anunciava boa nova. Na beira do rio, a notícia é outra: até a lama tem o que oferecer a quem sabe procurar.
Depende de como você viu
Um grupo pousado na beira de um rio ou de uma poça
São sobretudo machos, que sorvem sódio e outros sais do chão úmido e depois os repassam à fêmea no acasalamento. Se você chegar devagar, elas sobem juntas numa nuvem branca e pousam de novo um pouco adiante. É um bom momento para ficar parado e só assistir.
Rondando a horta de couve
A Ascia monuste, cuja lagarta é o curuquerê-da-couve, põe ovos amarelos nas folhas, e as lagartas podem deixar a planta só no talo. Quem cultiva aprende a olhar o verso das folhas. O que é leve no ar pode dar trabalho na terra: que coisa bonita na sua vida também pede serviço?
Cruzando o seu caminho de manhã
Borboletas brancas voam de dia, quase sempre com sol, num voo irregular, cheio de mudanças de direção. Se uma cruzou o seu caminho, acompanhe o percurso dela por alguns segundos antes de seguir. Pequenas pausas assim mudam o ritmo de uma caminhada inteira.
Por que acontece na natureza
Muitas borboletas brancas e amarelas do Brasil pertencem à família das piérides, que inclui a Ascia monuste, cuja lagarta é o curuquerê-da-couve. Os adultos tomam néctar, mas os machos também se reúnem em solo úmido para obter sódio, que repassam à fêmea no acasalamento e que ajuda na sobrevivência dos ovos.
O que dizem as crenças populares
Porto (Portugal)
No Porto, segundo Teófilo Braga, as borboletas brancas eram sinal de boa nova, e as pretas, de notícia ruim. Ele observava que a mesma crença existia na Grécia de seu tempo.
Fonte: Teófilo Braga, O povo portuguez nos seus costumes, crenças e tradições, vol. II (1885), p. 88. Ver a página
Para refletir
De onde vem, hoje, aquilo que realmente sustenta você, mesmo que pareça pouco bonito?