Everyday Omens

Ver uma joaninha

Ver uma joaninha fazia as crianças do norte de Portugal cantarem: “Joaninha, voa, voa, leva as cartas a Lisboa”. O verso é um bom ponto de partida para pensar nas mensagens que você gostaria de mandar.

O que pode significar

Antes do correio eletrônico, havia as joaninhas. Em Vila Real, no norte de Portugal, as crianças punham o besourinho na ponta do dedo e cantavam para ele voar e levar as cartas a Lisboa; em Gaia, a versão dizia que o pai dela estava lá, comendo sardinha. São brincadeiras que transformam um inseto miúdo em mensageiro de saudade, num tempo em que muita família tinha alguém longe. Uma joaninha subindo pela mão de um adulto traz de volta esse jogo, e com ele a lembrança de alguém que anda sem notícias suas. Duas linhas escritas hoje já fariam o papel da joaninha.

Depende de como você viu

Subindo pelo dedo até a ponta

Joaninhas tendem a subir até o ponto mais alto antes de abrir as asas e partir, e era com o dedo erguido que os versos infantis eram cantados. Espere o voo sem sacudir a mão. Você ainda consegue esperar alguns segundos por algo pequeno?

Uma joaninha alaranjada, com muitas manchas

Pode ser a joaninha-asiática (Harmonia axyridis), registrada no Brasil desde 2002, no Paraná, e hoje presente em vários estados. Ela come pulgões como as nativas, mas compete com elas. Nem tudo o que é bonito e útil chega sem custo para quem já estava ali.

Numa planta cheia de pulgões

Se uma joaninha apareceu na roseira ou na horta da varanda, provavelmente encontrou pulgões, que larvas e adultos comem em grande quantidade. Razão de sobra para guardar o veneno: a ajuda chegou sozinha e trabalha de graça.

Por que acontece na natureza

Joaninhas são pequenos besouros. Em muitas espécies, tanto as larvas quanto os adultos comem pulgões e outros insetos que atacam plantas, por isso são aliadas de hortas. As cores fortes avisam os predadores de que elas têm gosto ruim. No Brasil vivem várias espécies nativas e também a joaninha-asiática, registrada pela primeira vez em 2002.

O que dizem as crenças populares

Norte de Portugal

Em Vila Real, para apanhar a joaninha, as crianças diziam: “Joaninha, voa, voa, leva as cartas a Lisboa”. Em Gaia havia versões em que o pai da joaninha estava em Lisboa, comendo rabinho de sardinha.

Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), p. 136. Ver a página

Inglaterra

Na Inglaterra, Grose registrou que dava muito azar matar um grilo, uma joaninha, uma andorinha ou um pisco, talvez por ser uma quebra de hospitalidade, já que todos eles buscam abrigo nas casas.

Fonte: John Brand; Henry Ellis, Observations on the Popular Antiquities of Great Britain, vol. III (1849), vol. III, p. 193. Ver a página

Para refletir

Se pudesse mandar hoje uma carta curta por uma joaninha, para quem seria e o que diria?