Borboleta no enterro
Uma borboleta no enterro ou no cemitério geralmente foi atraída pelas flores das coroas e pelo sol nas lápides. No centro do México, as monarcas que chegam no começo de novembro são recebidas como almas de antepassados.
O que pode significar
Num enterro, quase ninguém sabe para onde olhar. Aí passa uma borboleta entre as coroas, pousa numa alça do caixão ou dá voltas sobre as pessoas, e de repente todos acompanham o mesmo voo. Alguém diz o nome de quem partiu, outro sorri pela primeira vez no dia. Muitas famílias leem a cena como uma visita. E, para todos ali, o que acontece é uma pequena licença: no meio do choro aparece algo leve, e ninguém se sente culpado por sorrir. O luto é imaginado, muitas vezes, como tristeza contínua, mas quem já perdeu alguém sabe que ele também tem intervalos de graça, de riso, de memória boa. A borboleta só torna visível um desses intervalos.
Depende de como você viu
Pousada nas coroas de flores
Coroas e arranjos de flores naturais oferecem néctar e perfume intenso e, com sol, atraem borboletas mesmo em cemitérios no meio da cidade. Muitos cemitérios funcionam, aliás, como áreas verdes cercadas de asfalto.
Em Finados
No Brasil, Finados cai em 2 de novembro, em plena primavera, época de muitas borboletas em voo. Quem visita os túmulos nesse dia tem boa chance de encontrar várias. No México, é nessa mesma época que as monarcas chegam aos bosques do centro do país.
Acompanhando o cortejo
Borboletas voam em zigue-zague e mudam de direção a todo instante, e por isso uma que cruza o caminho do cortejo pode parecer segui-lo por alguns metros. Esse voo irregular dificulta o ataque dos pássaros.
Por que acontece na natureza
Borboletas são ativas em dias quentes e ensolarados e procuram flores, sais e superfícies aquecidas pelo sol. Cemitérios reúnem tudo isso: arranjos de flores frescas, canteiros e lápides que esquentam ao longo do dia. Não admira que apareçam tanto em enterros, sobretudo na primavera e no verão.
O que dizem as crenças populares
Centro do México
Nas comunidades das florestas do centro do México, segundo a antropóloga Columba González, as monarcas são tidas como almas dos antepassados: cada uma traria um parente ou amigo que volta por uma noite ao mundo dos vivos para o Dia dos Mortos, no começo de novembro.
Fonte: Columba González (Monarch Joint Venture), More Than Monarchs: Understanding Traditions linked to Monarch Butterflies (2020), monarchjointventure.org. Ver a página
Para refletir
Que recordação de alguém que partiu ainda faz você sorrir?