Everyday Omens

Cigarra cantando

Uma cigarra cantando é sempre um macho chamando a fêmea: só os machos têm o órgão que produz o som, e o volume serve para que sejam achados. No folclore pernambucano, a cigarra cantava até estourar.

O que pode significar

O canto da cigarra parece trilha sonora do calor, mas tem destinatária. Só o macho canta, e canta forte porque precisa ser achado no meio de árvores cheias de outros machos fazendo o mesmo. A fêmea escuta e escolhe. Num pé de manga ou numa praça de cidade, cada cigarra anuncia, a seu modo, onde está. Há fases em que as pessoas também precisam disso: dizer o que procura em vez de esperar que alguém descubra por acaso. Há quem reclame do volume, e tudo bem. O canto não foi feito para agradar a todos. Foi feito para chegar a quem precisa ouvir.

Depende de como você viu

No calor do meio da tarde

Em muitas espécies, o canto fica mais intenso nas horas quentes. O corpo da cigarra depende da temperatura de fora para funcionar, e o sol forte coincide com o pico da cantoria em árvores de rua e quintais.

Uma cigarra que entrou em casa

À noite, algumas cigarras voam atraídas pela luz e acabam presas em salas e varandas. Elas não picam nem mordem pessoas. Basta conduzir a visitante até uma janela ou deixá-la no tronco de uma árvore.

Um coro com som de máquina

Quando muitos machos cantam juntos, o som se soma e vira um zumbido contínuo, capaz de abafar uma conversa na calçada. Cada um tenta se destacar, e o resultado é um coro que atravessa quarteirões.

Por que acontece na natureza

O som vem de duas membranas no abdômen do macho, os tímbalos, que vibram muito depressa, enquanto o corpo, em parte oco, amplifica o ruído. As fêmeas não têm esse órgão. O canto atrai parceiras da mesma espécie e, em muitas espécies, fica mais intenso nas horas mais quentes do dia.

O que dizem as crenças populares

Pernambuco (Brasil)

Pereira da Costa ouviu em Pernambuco que a cigarra estourava vítima do próprio canto agudo e que da carcaça dela nascia o cipó chamado japecanga.

Fonte: F. A. Pereira da Costa, Folk-lore pernambucano, em Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. LXX, parte II (1908), p. 53. Ver a página

Rodes (Grécia antiga)

A coletânea de Daniels e Stevans traz o gracejo atribuído a Xenarco, de Rodes: felizes vivem as cigarras, porque todas têm esposas sem voz. A obra observa que, de fato, as fêmeas não cantam.

Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. II (1903), vol. II, p. 604. Ver a página

Para refletir

Para ser encontrado por quem você procura, o que você precisaria dizer em voz mais clara?