Esperança (inseto verde) em casa
Uma esperança na sala, à noite, foi muito provavelmente atraída pela lâmpada. Nos costumes de Pernambuco anotados em 1908, era recebida como mensageira de felicidade.
O que pode significar
Poucos bichos carregam um nome tão comprometedor. Ninguém espanta uma esperança da cortina sem pensar, nem que seja por um segundo, no sentimento que ela leva no nome. É a palavra fazendo metade do trabalho. E há uma ironia bonita no inseto real: ele passa a vida disfarçado de folha, imóvel, quase impossível de achar até que se mexa. A esperança das pessoas também costuma ficar assim, escondida no meio do verde comum até que um pequeno movimento revele que estava ali. Se uma apareceu na sua sala, ela abre espaço para uma conversa sobre o que a casa anda esperando.
Depende de como você viu
Imóvel perto da luz, depois que escurece
A luz acesa atrai a esperança como atrai mariposas. Ela pode ficar parada horas no mesmo lugar. Para devolvê-la ao jardim, basta oferecer um dedo ou uma folha e esperar que ela suba, sem apertar as patas compridas, que se soltam com facilidade.
Uma esperança marrom ou rosada
Nem toda esperança é verde. Há espécies marrons, que imitam folha seca, e de vez em quando surge uma rosada, por causa de uma variação rara de pigmento. A surpresa da cor diferente mostra que o nome vale para muito mais formas do que a gente imagina.
Cantando no jardim depois do anoitecer
O chiado ritmado que vem das plantas pode ser de esperanças machos, que cantam friccionando as asas para chamar as fêmeas. Elas ouvem esse canto por órgãos que ficam nas patas da frente.
Por que acontece na natureza
No Brasil, chamam-se esperanças os insetos da família dos tetigoniídeos, parentes dos grilos. Têm antenas muito longas, muitas vezes maiores que o corpo, e órgãos de audição nas patas dianteiras. Várias espécies imitam folhas no formato e na cor. São ativas à noite e muitas vezes aparecem nas casas, vindas atrás da claridade.
O que dizem as crenças populares
Pernambuco (Brasil)
Nos registros de Pernambuco feitos por Pereira da Costa, a esperança, que ele descreve como uma espécie de gafanhoto verde, inspirava alegria e confiança quando entrava em casa ou pousava em alguém, como mensageira de felicidades.
Fonte: F. A. Pereira da Costa, Folk-lore pernambucano, em Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. LXX, parte II (1908), pp. 45-46. Ver a página
Para refletir
Que esperança sua anda tão disfarçada na rotina que só aparece quando alguma coisa se mexe?