Everyday Omens

Tanajura voando

Tanajuras voando aparecem depois das chuvas que encerram a seca: são fêmeas aladas e machos de saúva deixando o formigueiro para acasalar. Em Pernambuco, havia até uma cantiga para fazê-las cair.

O que pode significar

No velho interior pernambucano, gente do campo ficava embaixo da árvore do formigueiro com uma peneira de palha na mão e cantava: “Tanajura, cai, cai, pela vida de teu pai.” E elas caíam, aos montes. A cantiga parecia funcionar. Na verdade, as tanajuras descem de qualquer jeito: depois do voo, voltam ao chão para começar uma colônia na terra. A cena é divertida e diz muito sobre um costume humano. Muitas vezes atribuímos à nossa insistência resultados que teriam vindo de qualquer forma. Reconhecer isso não tira o mérito de ninguém, mas ajuda a gastar energia onde ela faz diferença de verdade.

Depende de como você viu

Muitas saindo do mesmo buraco

Num dia quente e úmido, o formigueiro de saúva solta uma multidão de formigas aladas em pouco tempo, enquanto as operárias guardam a saída. Formigueiros vizinhos fazem o mesmo, muitas vezes no mesmo dia.

Torrada, como petisco

No relato de Pereira da Costa, a tanajura torrada era um manjar apreciado no campo pernambucano, e a cantiga servia justamente para encher a peneira. Em outras partes do Brasil, o hábito de comer tanajuras também existe.

Uma tanajura sozinha no chão de casa

Ela está procurando terra para se enterrar. Dentro de casa, não tem chance. Dá para recolher com um papel e soltá-la num canteiro ou num terreno com terra exposta.

Por que acontece na natureza

Tanajuras, também chamadas de içás, são as fêmeas aladas das formigas saúvas. Em dias quentes depois das chuvas, elas e os machos alados saem dos formigueiros em voo nupcial. Depois de acasalar, a fêmea desce, solta as asas e abre uma câmara no solo, onde tenta fundar uma nova colônia. A maioria não consegue.

O que dizem as crenças populares

Pernambuco (Brasil)

Os camponeses pernambucanos, conta Pereira da Costa, se punham debaixo da árvore do formigueiro com uma urupema nas mãos e cantavam “Tanajura, cai, cai, pela vida de teu pai”, e as formigas caíam em quantidade; torradas, eram um petisco apreciado.

Fonte: F. A. Pereira da Costa, Folk-lore pernambucano, em Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. LXX, parte II (1908), p. 57. Ver a página

Para refletir

Que resultado você atribui à sua insistência, quando ele teria vindo de qualquer jeito?