Corruíra (cambaxirra) entrando em casa
Corruíra entrando em casa está caçando aranhas e insetos ou procurando uma fresta para fazer ninho. Na Cornualha, dizia-se que quem ferisse a carriça, parente europeia dela, nunca prosperaria em terra nem no mar.
O que pode significar
A corruíra é das poucas aves que tratam a casa como extensão do mato. Ela vasculha o batente, entra pelo vão do telhado, faz ninho dentro de uma bota esquecida na varanda, e canta alto demais para um corpo tão miúdo. Morar com ela é aceitar que a casa tem frestas e que alguém as aproveita. Na Europa, uma parente sua, a carriça, era tão respeitada que fazer mal a ela dava azar: na Cornualha, quem a ferisse nunca mais prosperaria; na ilha de Man, os pescadores não saíam ao mar sem uma carriça morta que os protegesse das tempestades. A visitante brasileira não pede tanto, só que ninguém feche a saída enquanto ela procura aranhas no rodapé.
Depende de como você viu
Fazendo ninho num vão da casa
A corruíra aproveita cavidades variadas: buraco de tijolo, caixa de luz, telha solta, vaso pendurado. O ninho fica cheio de gravetos e penas, e o casal se reveza para alimentar os filhotes.
Cantando alto no muro
A cantoria longa e cheia de trinados demarca território e se ouve o ano inteiro em muitas cidades.
Caçando dentro de casa
Ela come aranhas, baratinhas, lagartas e outros insetos pequenos, e entra em varandas e cozinhas atrás deles. Uma porta aberta do lado oposto ajuda a encontrar a saída.
Presa e assustada no cômodo
Se ela não acha a saída, apagar as luzes do cômodo e deixar aberta uma janela iluminada ajuda a conduzi-la para fora. Segurá-la com as mãos, usando um pano leve, é o último recurso.
Por que acontece na natureza
A corruíra (Troglodytes musculus) é uma das aves mais comuns do Brasil, do campo às grandes cidades. Pequena e parda, vive perto das casas porque encontra ali insetos, aranhas e cavidades para fazer ninho, e se acostuma rápido à presença de gente.
O que dizem as crenças populares
Cornualha (Inglaterra)
Na Cornualha, segundo Daniels e Stevans, dizia-se em verso que quem ferisse o pisco ou a carriça nunca prosperaria em terra nem no mar.
Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. II (1903), vol. II, p. 687. Ver a página
Ilha de Man
Na ilha de Man, conforme a mesma obra, os pescadores não iam ao mar sem uma carriça morta que os protegesse das tempestades.
Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. II (1903), vol. II, p. 719. Ver a página
Para refletir
Que frestas da sua casa, ou da sua rotina, alguém aproveita sem você perceber?