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Quadro que cai da parede

Um quadro que cai da parede assusta pelo estrondo e por velhas crenças de luto. Depois do susto, porém, sobra uma cena curiosa: um retângulo com a cor que a parede tinha quando o quadro foi pendurado.

O que pode significar

Quando o quadro despenca, a primeira reação é olhar para o chão: o vidro, a moldura, a foto. Depois alguém olha para a parede e encontra um retângulo mais claro ou mais limpo do que todo o resto, com o contorno exato da moldura. Durante anos, aquele pedaço ficou protegido do sol, da fumaça da cozinha e do pó, que foram mudando a cor em volta. Quando uma rotina de muitos anos acaba, aparece o que ela vinha guardando, como aquele canto da casa em que ninguém mexia. A marca na parede não tem nada de mau agouro; é o desenho do que ficou preservado.

Depende de como você viu

Caiu de madrugada, com barulho

O estrondo no escuro faz o coração disparar, e a mente corre atrás de uma explicação antes de acender a luz. Na maioria das vezes, o prego vinha cedendo aos poucos e só faltava a vibração de um caminhão ou de uma porta batendo.

Uma foto de família no chão

Quando é a imagem de alguém querido, a queda pesa mais, sobretudo se a pessoa já se foi. Recolher a foto com cuidado e trocar o vidro é um gesto que muitas famílias fazem quase como homenagem.

Preso com gancho adesivo

Ganchos colantes podem perder a aderência com calor e umidade, comuns no verão brasileiro. Para quadros pesados, prego com bucha ou parafuso dão mais segurança do que a cola.

Por que acontece na natureza

Quadros caem quando o prego afrouxa no reboco, o arame atrás da moldura se rompe ou o gancho adesivo perde a aderência; vibrações de portas, obras e trânsito ajudam o processo. A marca que fica na parede aparece porque aquela área ficou protegida da luz do sol e da sujeira, enquanto o resto desbotou ou escureceu.

O que dizem as crenças populares

Caribe (Índias Ocidentais)

Nas Índias Ocidentais, no Caribe, um quadro que escorregava da parede dava azar, porque se acreditava num laço entre o quadro e o dono: o cordão cedia quando se partia o fio da vida.

Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. I (1903), vol. I, p. 482. Ver a página

Inglaterra

Brand conta, a partir de uma biografia do arcebispo Laud, que ele encontrou o próprio retrato caído de bruços no gabinete onde ninguém mais entrava, e tomou aquilo como mau presságio.

Fonte: John Brand; Henry Ellis, Observations on the Popular Antiquities of Great Britain, vol. III (1849), vol. III, p. 234. Ver a página

Para refletir

Que mudança na sua casa deixou à mostra uma marca antiga que você nem lembrava que existia?