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Casar em agosto

Casar em agosto dá azar? A fama é antiga: no folclore pernambucano descrito por Pereira da Costa em 1908, agosto era mês aziago, de desgostos, e de mau agouro para casamentos, mudanças de casa e negócios importantes.

O que pode significar

Datas carregam histórias que ninguém escolheu. No registro pernambucano de 1908, agosto aparecia como mês aziago e de desgostos, ruim para casar e para qualquer outro começo importante. A palavra desgosto rima com o nome do mês, e frases que rimam grudam na memória com uma facilidade impressionante. O curioso é que o receio não era só dos noivos: valia para quem mudava de casa ou abria um negócio. Isso levanta uma pergunta útil para quem vai dar um passo grande. O que pesa mais na escolha: o que você sabe sobre o seu momento ou o que ouviu sobre o mês? Um calendário cheio de meses vetados deixa pouco espaço para começar.

Depende de como você viu

Agosto, mês do desgosto

A dupla agosto e desgosto já aparece lado a lado no texto pernambucano de 1908. Rimas assim passam de boca em boca com facilidade e soam mais convincentes do que a mesma ideia dita sem rima, e por isso, em parte, o receio atravessou gerações.

Mudar de casa no mesmo mês

Em Pernambuco, a fama ruim de agosto valia também para mudanças de casa. Na prática, o que decide uma boa mudança é mais concreto: caixas bem fechadas, alguém para ajudar a carregar e uma primeira noite com cama montada.

Fevereiro e sexta-feira, em Portugal

Do outro lado do oceano, os vetos caíam em outras datas. Teófilo Braga anotou que, no Minho, havia três dias de fevereiro em que não se devia casar, e que o casamento feito numa sexta-feira, segundo a crença portuguesa, não teria filhos.

Por que acontece na natureza

Nada no clima ou no calendário torna agosto pior para casar. O nome do mês homenageia o imperador romano Augusto, que rebatizou o antigo Sextilis. A fama ruim se apoia em parte na rima com desgosto: estudos de psicologia mostram que frases rimadas parecem mais verdadeiras e ficam na memória com mais facilidade.

O que dizem as crenças populares

Pernambuco (Brasil)

Pereira da Costa registrou que, em Pernambuco, agosto era mês aziago e de desgostos, de mau agouro para casamentos, para mudança de casa e para começar qualquer negócio importante.

Fonte: F. A. Pereira da Costa, Folk-lore pernambucano, em Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. LXX, parte II (1908), p. 116. Ver a página

Portugal

O folclore português reunido por Teófilo Braga dizia que o casamento feito numa sexta-feira nunca teria filhos e que, no Minho, havia em fevereiro três dias em que não se devia casar.

Fonte: Teófilo Braga, O povo portuguez nos seus costumes, crenças e tradições, vol. II (1885), p. 101. Ver a página

Para refletir

Na hora de marcar uma data importante, quanto pesa o que você ouviu dizer sobre o mês?