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Cobrir os espelhos quando alguém morre

Cobrir os espelhos quando alguém morre é um costume antigo, encontrado em lugares muito distantes entre si. Já no século XIX, quem o seguia nem sempre sabia o porquê; mesmo assim, o gesto continua dizendo algo sobre o luto.

O que pode significar

Na casa de quem acabou de perder alguém, há um movimento constante: gente chegando, café passando, telefone tocando. Os espelhos, se ficassem descobertos, devolveriam a cada passo um rosto inchado de choro, um cabelo desarrumado, uma roupa escolhida sem pensar. Cobrir os espelhos tira esse olhar da sala. Por alguns dias, ninguém precisa se arrumar para ninguém, nem para si. O luto ganha permissão para ser desalinhado. Mesmo onde o costume já se perdeu, a ideia continua útil: quem está sofrendo merece um tempo sem precisar parecer bem. Talvez o maior cuidado com alguém enlutado seja justamente não esperar que essa pessoa esteja apresentável.

Depende de como você viu

Durante o velório em casa

Nos velórios feitos em casa, comuns no interior até pouco tempo atrás, panos e lençóis cobriam espelhos, quadros e às vezes a televisão. Era também um jeito de marcar que aquela casa estava num tempo diferente dos outros.

Um costume que ninguém explica

Em muitas famílias, alguém mais velho cobre os espelhos sem dizer por quê, e os mais novos obedecem. Perguntar com delicadeza, depois do enterro, pode abrir uma conversa sobre os costumes que vieram dos avós.

O dia de descobrir os espelhos

Tirar os panos marca, para muitas famílias, a volta lenta à rotina. É um gesto simples, que pode ser feito com calma, quando a casa estiver pronta, sem prazo imposto por ninguém.

Por que acontece na natureza

Não há explicação física para o costume; ele é cultural e religioso, e as razões dadas mudam de tradição para tradição. Já em registros britânicos do século XIX, quem cobria os espelhos numa casa de luto nem sempre sabia explicar o motivo, sinal de que o gesto se transmitia mais pela prática do que pela explicação.

O que dizem as crenças populares

Órcadas (Escócia)

Nas Órcadas, ilhas ao norte da Escócia, segundo um manuscrito citado por Brand, trancavam-se todos os gatos da casa e cobriam-se todos os espelhos assim que alguém morria, e os moradores não sabiam dar uma razão firme para isso.

Fonte: John Brand; Henry Ellis, Observations on the Popular Antiquities of Great Britain, vol. II (1849), vol. II, p. 232. Ver a página

Para refletir

Quem perto de você está atravessando uma perda e precisa de um tempo sem ter de parecer bem?